quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sobre o Natal e o Ano Novo

Que no ano novo,
Toda vez que dançarmos, sejamos luz
Todo e qualquer erro dentro de nós seja verdadeiramente perdoado
Que a estrada siga sempre como se fosse reta
Que os sonhos tenham aquela sensação sólida
Que as realizações sejam cada vez mais próximas
Que nossas atitudes sejam cada vez mais fiéis aos nossos corações
Que sempre saibamos valorizar o sentimento de quem nos cuida e ama
Que nenhum arrependimento machuque tanto a alma
Que nenhum orgulho nos separe do mundo, por cercas ou por muros
Que a gente tenha a coragem para dizer e fazer o que tiver de ser
Que nenhuma luta seja tão árdua ou tão fácil
Que nenhum amigo querido precise morar fora
Que nenhuma lua seja coberta por nuvem
Que nenhum momento romântico se atrapalhe por chuva
Que todos os jantares sejam à luz de velas, mesmo sem elas
Que nenhuma mão se desenlace
Que nenhum passado te atrapalhe
Que nenhum futuro te dê medo
E que “até nos vermos de novo, Deus te guarde na palma de sua mão”.

Abraços a todos que por aqui passam e fizeram de meu 2009 melhor.

Que em 2010, possamos nos visitar mais, ler mais e fazer novas amizades.

Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Essa coisa de fim de ano

Chega o fim de mais um ano e, com ele, uma série de reflexões parece se debater dentro de nossa cabeça. É aquele regime que você não fez, aquilo que você não estudou, o cigarro que você não parou, o concurso que você não passou, o reconhecimento pelo esforço que não veio, a amizade que se desfez, a dedicação que você não deu, o abraço que devia ter dado, o namoro acabado, a palavra que entalou ou que foi dita sem pensar...

Parecem ser tantas as coisas que poderíamos ter feito de maneira diferente, mas temos que colocar em evidência que tudo isso não foi o tudo do ano. Houve coisas que deram certo, libertações que não entendemos hoje porque estão nubladas pelas dores, a ajuda que você deu anonimamente ou inconscientemente e, mesmo tendo falhado, tem o esforço louvável do ter tentado.

Engraçada essa coisa de fim de ano. Quem lá inventou algo que nos voltasse a catarse, que nos recolocasse frente a frente com aquilo que não deu e que a gente quer esquecer? Quem foi que inventou de contar os dias e criar ciclos, para que?

Porém, olhemos profundamente. Debaixo de todo esse véu que parece nos desesperar, há também a chance de um recomeço, de retomar aquilo que foi falho, de nos aperfeiçoar. São inúmeras as confraternizações (às vezes um saco!), mas em uma delas está alguém que precisa ser revisto, uma atitude que precisa, sim, ser repensada.

Aproveitemos esse momento para perceber que há realmente algo bom em nós e no próximo, mesmo com toda essa loucura noticiada, mesmo com todos os pensamentos sórdidos que ficam sendo apenas nossos.

Somos humanos e precisamos desse momento de congraçamento, de criar novos projetos e definir novos rumos.

Eu mesmo farei as minhas velhas e boas promessas para o ano que vem: estudar mais, estressar-me menos, ser mais compreensivo, ser mais forte, continuar fazendo exercícios regularmente, abandonar o cigarro novamente, não deixar oportunidades escaparem, ajudar mais pessoas, ser um bom ouvido e ombro amigo, fazer mais amigos, estar mais perto dos antigos, perdoar-me por aquelas coisas que nunca consegui me perdoar, ser capaz de mais amor e, o mais importante: fazer tudo aquilo que realmente me deixe feliz.

Determine as suas promessas também. Faça uma listinha delas e siga riscando as realizadas. Eu já risquei um monte em anos outros. Estarei aqui o ano inteiro novamente, como esse que iniciei cumprindo a promessa de um dia escrever minhas bobeiras e pensamentos em um Blog.

Liste-as abaixo. Quem sabe não posso ajudar com elas!

Abraços cheios de renovação para o ano novo. Força sempre!



Angelo A. P. Nascimento

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Paraíso

Há algo errado no paraíso:
Há espuma de cerveja no lugar de cachoeiras
Há fumaça de cigarro no lugar de nuvens
Há maçãs podres pelo chão que piso
Ninguém nunca as mordeu
Mas há pecados nada originais por toda parte
Pecados tão comuns como qualquer erro fora do paraíso.

Há algo errado no meu paraíso:
Não há cobras, Eva ou Adão
Só eu existo
Numa multidão de silêncios
Em um vazio preenchido de carne insensível e branca.

Por favor,
Abram os portões do Éden para o infinito!

Há comprimidos no lugar de botões
Há sinistras guerras, gemidos e rojões!

Há loucos no meu paraíso!

Deus,
Tende piedade
E resgate-me ao fim de tudo...


Angelo A. P. Nascimento

Bandoleira

Eu não percebo a sua graça simplória
Antes disso,
Tenho olhos que querem lhe detestar
Seus dizeres
Sua tez
Seu jeito impróprio de roçar em mim.

Eu não quero nada disso
E rejeito tudo
Que lhe refere.

Tenho algo maior
Que não cabe a sua presença,
Seu sorriso desmedido
Ou sua lembança bandoleira.

Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Voar

(Chapadão de Pipa, Praia do Amor - RN - 22 de novembro de 2009)

"Você pode até me empurrar para o precipício, não me importo.
Adoro voar!"
(Roberto Julião)
Do alto de tudo, percebo o mundo, e nada me apavora.
Angelo A. P. Nascimento

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Depois disso

Depois disso, não sei em que acredito
Depois disso, cadê as estrelas?
Tudo tão fugidio, depois disso
Depois disso, olhos, cabeça, corações perdidos
Depois disso, tudo e nada ficaram parecidos
Desvanecer pareceu conciso, depois disso
Depois disso, as paredes choraram abafando o nada dito
Depois disso, tristeza e carne se fundiram
Seria boa opção hospício, depois disso
Depois disso, chuva, janela, gemidos
Depois disso, insônia, incompreensão, revolta
Recordações quintal afora, depois disso
Depois disso, lágrimas na comida
Depois disso, mesa para um
Lembranças de agulha, depois disso
Depois disso, silêncio profundo
Depois disso, trinquei os dentes
Sangrei a língua, depois disso
Depois disso, morto o sonho
Depois disso, anti-depressivos
Pesadelos, depois disso
Depois disso, isso
Depois disso, entendi a dor do vício
Portas e pernas, depois disso
Depois disso, olhei para a frente, ainda paralítico
Depois disso, um passo adiante
Um homem mais forte depois de tudo isso.

Angelo A. P. Nascimento
(04 de junho de 2001)

Sociedade

Como eu sempre digo:

A
sociedade
não
é
fisiológica.
(Angelo A. P. Nascimento)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Menino

Parece perdido o menino
Com um sonho na mão direita e duas pedras na outra mão que pesa
Anda solto
E complicado.

Parece revoltado o menino
Pois não corre atrás da bola
Pisa na grama e amassa os canteiros
Que outrora foram aguados.

É o menino que vira a noite
Que pensa e desaba nos braços estranhos
Que vira e desliga a mente
E se agita acidamente frente à vida.

Senta aqui, menino,
Deixa eu te mostrar o que você precisa acertar sentir
Respira calmo
Não se debata
A vida gira e revira
Por dentro e por fora
Por isso esse enjôo chato.

Vê aquela luz lá na frente?
Ela pede que você fale
Das dores que maltratam o seu peito estafado
Não destrua nada
Fique silente
Respeite as encruzilhadas
Toda noite acaba por amanhecer.

[Veja a paz e me diga que cor ela tem]
Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sonhos

Eu saí
Eu perdi de mim
O que só era tranqüilidade

Eu vi e passeei por nossas dores
Eu busquei a luz de nossas flores
Eu não sei quanto de nós se dispersou

Abra os olhos
Tem muito de mim
Espalhado pelos cantos
Tem todas as vogais num murmúrio de canto de boca
Em todas as conversas que ora procuramos silenciar

Perto de meu peito
Cultivei sonhos de nova brisa
Com janela aberta
E cheiro de laranjeira

Era você que estava lá o tempo todo
Cruzando minhas vistas na velocidade de bicicletas
Distribuindo mais risos
Que ladeavam toda a casa

Era você,
Que no meio de sua vacilante alegria
Pendurava-se insistentemente
Em meu coração.
Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre uma parte de mim

Eu só abri
Eu só me expus
Esse pedaço de mim aí
À mostra

Essa parte que me faz tão bonito
Essa outra parte que lhe deixa à parte de tudo

Pega essas coisas
Esse arrumado de sentimentos
Que você colocou aqui
Faz alguma coisa com eles
Leva para algum lugar qualquer fora de mim
Me tira desse meio perdido
Me guia
Me desafoga

Que faço da mesa posta?
Não sei nem do seu cheiro
Diga-me à que horas tudo se resolve
Diga-me
Ou não me diga

Apenas beije-me.

Angelo A. P. Nascimento

sábado, 10 de outubro de 2009

Hoje

Hoje,
Não há idéias sobre o nada
Somente o meu corpo deitado
Meu olhar verticalizado
E uma constelação de fragmentos
Do teu agora vazio.

Hoje,
As rádios não tocam qualquer boa música
Não brotam boas poesias
E não vamos comer pastéis.

Hoje,
O mar de azul está cinza
Não há para quem pronunciar o seu nome
É imposssível escutar o timbre de suas vogais.

Hoje,
Procuro o teu peso e o entrelace,
Cadê o meu apelido que só você sabe?
Cadê o teu conforto de fim de tarde?

Hoje,
Cai a espada e volto a ser príncipe
Sou normal, humano e choro,
Mas você está fazendo a coisa certa...

Angelo A. P. Nascimento
(19 de fevereiro de 2002)

Música para surdos

Sei que sem você
Não faço música
Crio acordes soltos
De vida lúdica.

Tua presença
É o sentido
É o que norteia
A orquestra que compõe
Sinfonias que louvam
Os teus gestos,
A tua vida.

Sei que sem você
Não faço música
Tudo se resume
A sons surdos
Cantados por um coral
De mudos...

Angelo A. P. Nascimento
(24 de janeiro de 2001)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Final Feliz

Não sei como terminar histórias de amor
Digno-me a escrevê-las em início
Digno-me a realçá-las em seu decurso
Mas não sou romancista
Não sou especializado nos bons finais felizes
Creio que cabe aos outros o escrever do fim
Por que eu apaixonado
Por mim viveria em livre curso
De livro-amor eterno.

E sempre terminam assim:
Destroços salpicados de sobras de nós
Regados de momentos lacrimogênicos
Que invertem boas lembranças
Em recordações torturantes.

Como eu queria descrever por completo
As sinetésicas paixões
Impassíveis de serem relatadas
E poder congelar, mesmo que em palavras
A magia dos dedos enlaçados
E o único gosto dos lábios que se tocam
E descobrir na carteira a foto três por quatro
Que desencadeia verdadeiros sorrisos satisfeitos
O encontro de olhares sinceros
Os gestos que não ficaram perdidos
Resumir tudo isso no colo
E chamar de amor mais do que correspondido
Um amor perene
Um amor vivido
Um amor macio
Aquele mesmo das mãos trêmulas
Aquelo mesmo das cartas
Que nunca sonhávamos em escrever
Aquele mesmo que nos coloca nas músicas que escutamos
Que termina cada capítulo
Com o mais tranquilo adormecer
Aquele mesmo que rouba flores dos canteiros
Antes dos ansiados encontros
Aquele mesmo que queremos para sempre
Aquele mesmo amor que habita os perfeitos fins
Aquele mesmo amor que parece não ter fim
Aquele mesmo amor das noites de lua (que não precisa ser cheia)
Aquele mesmo amor que nos motiva
Este mesmo amor que não deixa que eu termine esse poema
Que não dá verso
Que não dá rima
Que dá vida
Que simplesmente é
No final
O amor.

Angelo A. P. Nascimento
(11 de maio de 2001)

domingo, 27 de setembro de 2009

Vazio

Vazio...
Quantos nomes já te deram
Imensurável substantivo
No intuito
De definir o teu vácuo
Doloroso e indefinível?

O que confinas
No teu corpo etéreo
Onde a luz
Mesmo ela se perde?

Vazio...
Onde tudo há de imenso
Onde o tudo a nada se resume
Onde a vida perde o lume
Onde estou
Sem receber o teu amor.

Angelo A. P. Nascimento
(22 de janeiro de 2001)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Retratação

Meus caros,
Desculpem-me a ausência. Sei que ando falho comigo mesmo e com aqueles amigos que aqui fiz, mas acreditem, as correrias me impedem a presença tanto quanto eu gostaria. Às vezes, enquanto estou sozinho no carro, vejo-me com alguns estalos ótimos para escrever, mas, como não tenho como registrar, tudo acaba se perdendo, diluindo-se ao longo das tantas coisas do dia.
Tenho escrito pouco, mas tenho vivido muito outras experiências. Quem sabe elas não rendem novos textos ou novas poesias? Ando reformulando pensamentos e atitudes e quero, em breve, poder falar de novas fases que sempre são antecedidas por esses momentos de confusão e desordem. Até o amor vem do caos e sei que vem vindo um sem tamanho por aí (tomara!).
Nesse embaraço todo, meu pâncreas acabou revirado. Dias estava na cabeça, dias estava no peito, dias estava no lugar calmo de sempre do abdome. Mas bola para frente. Força e coragem para todos nós.
Comentarei os blogs amigos. Saudades de todas as palavras, textos e conselhos.

Abraços a todos.
Beijos a quem merece.

Angelo A. P. Nascimento

O amor que não adormece

Hoje é noite por todos os lados
E apenas busco por algo
Que fagulhe na escuridão.

Espero o sono em vão
E conto carneiros e cavalos
E trinco músicas infantis que ninem
Lembro de calores antigos
Faço orações que sempre terminam
Com pedidos pagãos.

Mas nada remove essa sombra em mim
Nem mesmo a madrugada que se expira
Nem mesmo as luzes todas acesas da casa.

Nada no breu se move,
Exceto o seu cheiro que passeia solto.

Insisto e apenas deito,
Acalentando um amor que não adormece.

Angelo A. P. Nascimento

domingo, 6 de setembro de 2009

Oração por quem se ama

Eu já publiquei esse poema aqui, no início do blog, pois foi um dos primeiros resgates que fiz das coisas que escrevi em tempos idos.
Apesar de recitá-lo todo o tempo no silêncio do coração ou baixinho, entre os dentes, resolvi replubicá-lo, pois é setembro e meu corpo resolveu fazer coro.

Deus abençoe a sua pele branca,
Os seus cabelos,
Os seus pêlos,
Os seus dedos tão vivos.

Deus abençoe a sua saliva,
Seu riso desmedido,
Sua expressão de criança
E a sua maneira simples de olhar.

Deus abençoe suas pernas,
Seus joelhos e
Sua barriga trêmula a minha língua.

Deus abençoe esse rosto sereno,
Esse sono intrigante e inocente,
Esse corpo de sossego,
O seu cheiro,
Esses lençóis e esses travesseiros.

Deus abençoe essa minha noturna travessia...

Angelo A. P. Nascimento
(2005)

sábado, 29 de agosto de 2009

Penso ser tanta coisa que não pode haver tantos...

Eu sou a alegria que se encerra,
Sou a mensagem singela
Em um guardanapo amassado na carteira.

Sou a briga e a sequela,
Sou o ciúme, a revolta e a espera.
Sou a esperança abandonada,
A palavra que ficou entalada,
A atitude sufocada.

Sou o choro, o grito e a mágoa,
Sou o chaveiro e o incentivo,
Sou a omissão e o compromisso,
Sou o amor corrompido,
Sou a sombra pela casa.

Sou parte e sou nada,
Sou a sensação dilacerada,
Sou o herói vencido,
Sou a umidade e a neblina,
Sou o barulho na janela,
Sou a perturbação e a calma.

Sou o sofá e o cinzeiro,
Sou o livro na estante,
Sou o nome sem palavra.
Sou a música, sou seus pés,
Sou a dança descoordenada.
Sou a agonia que lancina,
Sou a dúvida assassina,
Sou a fé e o reinício das vidas mais desacreditadas.

Sou a mancha roxa no corpo,
Sou o filme no finalzinho,
Sou a mordida e o gemido,
Sou um chorinho tímido,
Sou o escândalo de graça.
Sou a imcompreensão e o incompreendido,
Sou o homem e o menino,
Sou o sentimento desvanecido,
Sou borboleta na vidraça.

Sou a oração desvirgulada,
Sou o sonho interrompido,
Sou o jantar de velas apagadas.
Sou a lágrima escorrida,
Sou o último olhar,
Sou a reação não tida,
A mentira e a desgraça,
O desespero e a covardia.

Sou o surto e a lucidez,
Sou a mácula e a chaga exposta,
Sou paralítico e apressado,
Sou um coração sem as válvulas.
Sou a prisão e não tenho muros,
Sou detento, feitor e carrasco
Sou o enjôo dos bêbados de sábado,
Sou a lamentação das missas de domingo.

Eu sou a rede que volta do mar vazia,
Sou o filho esquecido no pátio,
Sou o problema e a maestria
Dos passos mais complicados.

Sou a guerra e sou a fome,
Sou o que vem depois de uma hecatombe.
Sou cegonhas de papel,
Sou a gravidez distante,
Sou transeunte de rodoviária.

Sou a convulsão, o espasmo e a saliva,
Sou o orgulho, o rancor e o veneno que mata,
Sou a promessa e a praga,
Sou palpável ectoplasma.

Sou a placa de trânsito quebrada,
Sou a bola errada,
Sou a decepção e a traição,
Sou as pernas encolhidas e banhadas de lágrimas...

...Mas se eu fosse um passarinho,
Eu voava para bem longe daqui.
Angelo A. P. Nascimento

domingo, 23 de agosto de 2009

Mundo estranho

Todo mundo fala que eu rio das coisas mais banais. E é verdade. Acredito que por lidar tanto tempo com coisas complexas, a simplicidade das piadas sem graça (se é sem graça, por que rio?) me tira do eixo, sempre me descontraindo. Em razão disso, amigos sempre me enviam, por e-mail, essas tiradas infames que brotam no dia-a-dia.

Algumas vezes são piadinhas, trocadilhos, melôs (adoro o melo dos netinhos desalmados: solto “avós” na estrada, já não posso parar, meu caminho é de pedra...), Pérolas do ENEM (perfeitas!), achados monstruosos e sem noção do Orkut ou vídeos no Youtube. Quanto a esse último, ninguém é mais gente depois dele. Após a popularização do site de vídeos, todo mundo ganhou a oportunidade de ser um pouco famoso (vide “Stefhany” – é assim mesmo que se escreve), um pouco ator (vide “Leona: a assassina 2”), um pouco político (vide “Marcela chave de fenda), um pouco eloqüente mais do que o possível (vide a “Bicha muda de Juazeiro”) ou mesmo um pouco não sei nem o que (vide “Atóóóóron o perigon”). O que importa é que todo mundo tem seu momento de fama ou de malhação pela world wide web. Chique ou não (geralmente cafona – vide “Tigresas Del Oriente”), assustador ou não (vide “Wendy Sulca”), todo mundo está lá.

Selecionei abaixo os links de uns que acho bárbaros... Afinal, para o meu humor, quanto mais trash, melhor. Assista aos vídeos calmamente. Apenas abra a sua mente para o novo, o desconhecido e comprove o quanto o mundo em que vivemos é povoado de criaturas estranhas! E viva a diversidade!


Abraços a todos e uma semana com excelente humor, com um vídeo para cada dia!

Angelo A. P. Nascimento

Ps.: Dedico esse post aos meus amigos Frank e Madson, que adoram alimentar esse meu lado negro da força.

http://www.youtube.com/watch?v=1wD2stFkr5k

http://www.youtube.com/watch?v=Nc4cxludKFk

http://www.youtube.com/watch?v=b6am1t51sv0

http://www.youtube.com/watch?v=3uo4KpxjbxY

http://www.youtube.com/watch?v=iVjZBfYtjxQ

http://www.youtube.com/watch?v=oAl8RgSQGaA

http://www.youtube.com/watch?v=DuoCd7UEkpc

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Beije-me

Beije-me e deixe apenas tudo passar
Deixe que as brigas se exasperem
Deixe que a dor canse de doer
Não tenho paciência para conversas
Tenho sede que só sua pele sabe matar

Beije-me
Serei sempre só aquele que se perdeu
O que não soube achar sequer suas delícias
Aquele patético risonho espectador de sua graça

Beije-me
Deixe o tempo correr caquético por debaixo de nossos olhos
Deixe que se diluam os abraços trocados
Deixe que a sensação de eternidade se desvaneça com sinceridade

Beije-me silentemente e serei aquele que sempre amou mais do que podia.


Angelo A. P. Nascimento
"As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo."
(Mário Quintana)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O bêbado apaixonado (rejeitado)

Ai! Não sei o que fazer dos meu olhos!
Sei que são esferas que bóiam
E que meus copos de vinho dão alguma vida.
Mas por que chorar,
Se daqui já vejo a chuva,
Com meus pés nus roçando o ar,
Com meu dedos acompanhando o fado
Da minha caneta bêbada que dança?

Condeno os meu olhos por terem te visto
Por antes disso não fecharem
Por antes disso não cegarem
Interrompendo, em algum ponto, o estímulo de minhas mãos.
Não sei para quem escrevo
Se me recuso então compor para ti
E me agarro a uma alcoólica fantasia
E vibro com o tremor choroso de meus lábios.

Com a opacidade lacrimada
Castigo os meus olhos por terem registrado
Tua pele de estrelas maceradas
Teu andar de criatura encantada
Teu sorriso de felicidade
Do qual já não faço parte.

Abro-me em recusa
E peço a ti a minha abolição.
E que meu sentimento termine
Tal qual uma simples música
E que este seja enterrado
Na mais distante Escócia
Às margens de um monstruoso lago
Comigo tocando uma impossível fúnebre ópera
Numa difícil gaita-de-foles.

Acompanhe-se do pôr-do-sol
Levando consigo toda a luz
Não iluminando mais os meus dias.
Que eu, repousado na lua,
Aguarde novas luminosas horas
Ou, para passar o tempo,
Eu me agarre a uma baleia
E atravesse os oceanos.
Que testemunhe eu partos salgados
Que eu fuja do inverno com os pássaros
Que procuram sua própria primavera.
Que pelo sangue dos meus pulsos tu te esvaias
Que do alto das nuvens
Despenques de minha alma
E que de tanto eu escrever
Tu passes de dentro de mim
Para detrás das palavras.

Eu te entrego para as fadas
Cuido de meus joelhos
Recolho meu olhar caído em alguma mesa
Ao lado de um romance de Jorge Amado.
Desligo as lâmpadas
Mudo de lugar os quadros
Volto a escrever para te tirar do quarto
Tua assombração alucina meu olfato.
Estou curado, eu sei.
Nunca mais vou beber...

Angelo A. P. Nascimento
(08 de agosto de 2001)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu acho que vi o amor

Esse mês tenho andado com a cabeça ruim para escrever, sem idéias, sem achar as palavras certas. Em verdade, não sei nem que sentimento quero pôr aqui; algo mais denso ou, quem sabe, algo mais leve, mais humorado.
Mas, por outro lado, Julho tem tido suas experiências interessantes: vi e falei com pessoas que há muito não partilhava da presença. E foi muito bom, com especial referência a duas amigas que hoje estão distantes, uma no Maranhão e outra em São Paulo, as quais estimo de coração.
E renovando o "falar em amizade", essa semana participei da organização de uma comemoração do "Dia do amigo" de um grupo de pessoas portadoras de doenças crônicas, na Unidade de Saúde em que trabalho. Elas revelaram seus sentimentos umas as outras, trocaram abraços, houve música e tudo mais. Entretanto, uma situação me chamou a atenção: na simplicidade das pessoas que compunham aquele grupo de pacientes, uma senhora levantou-se com um pedacinho de papel na mão e começou a cantar. Fiquei tão preocupado em entender cada palavra que ela entoava, que mal me importei em saber de sua afinação.
Com uma rosa na mão, ela dirigiu-se a outra mulher, também paciente, e abraçou-a ternamente dizendo:

- Você é minha amiga e você sabe por quê.

E a outra respondeu:

- Sim, eu sei.

Aquele abraço foi tão demorado, tão verdadeiro, com tanto sentimento...
Acho que se a gente pudesse ver o amor, ele seria daquele jeito, sem reservas, inteiro.
Aquele abraço, que eu tive o privilégio de ver, tinha a força para justificar uma vida inteira e foi um dos momentos mais lindos que já presenciei!
Ainda agora, dois dias depois, encontro-me inundado de tanta emoção e isso renovou minha fé nas pessoas.


[Para todos de dentro do meu coração, de fora dele, para os que acham que estão fora e para aqueles que se perderam do meu amor.]
Angelo A. P. Nascimento

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Queridos amigos

Creio que, mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre. E mesmo que não tenham mais nada em comum, sendo apenas vítimas das bifurcações de caminhos, devem ainda assim compartilhar as mesmas recordações, num ritual interno de fidelidade ao que foi sentido sinceramente.
Pelo Dia do Amigo que se aproxima, coloco uma foto histórica nossa, já que tem tem ficado cada vez mais difícil reunir todos.
Há um lugar de presença cativa e constante a vocês: o coração.
Abraços enormes,
Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 14 de julho de 2009

Luminosidades



Dirijo,
Atravesso a noite contra o vento frio
Seu nome sem pronúncia
Arde nos ouvidos
E, surdo, me arrepio
Contemplando estrelas de faróis.

Dirijo,
Estilhaços me cegando no caminho
Nosso amor farfalhando minhas orelhas
Tuas mãos e minhas tolices derradeiras
São detalhes que me fazem tão sozinho.

Angelo A. P. Nascimento
(2000)

Saudades de minha vó

Esse mês seria o aniversário de minha avó e escrevo só para registrar tanta saudade que eu sinto. Quando fico alegre ou triste, sempre lembro dela. Tem horas que até sinto seu cheiro de aconchego, próprio dos seres que magicamente se tornam avós.
E minha avó era uma figura!
Esse foi um diálogo nosso que nunca esqueci:

- Vó..
- Quié?
- A senhora me ama?
- Agora não, Angelo, estou assistindo minha novela!

Apenas sorri e deitei minha cabeça em seu colo.

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sentimentos

Talvez ninguém entenda
O que eu passo agora.
Talvez só caiba a mim
Encaixotar essa agonia.

Vejo um céu tão grande
E apenas uma lua.

Talvez nada no mundo compreenda
Esse escândalo mudo em mim.
Apenas sentado,
Como quase em um milagre,
Perco o meu sono.
Mas não foi só isso que eu perdi,
Perdi as legendas exatamente
Daquela parte da vida.

Tenho comigo a última opção,
Mas resta tanta coisa
Que tenho a sensação
De que me distraí em algum momento,
De que algumas folhas caíram
E o sol se pôs inconformadamente.

Tenho memória apenas
De coisas cotidianas
Que acabaram se dispersando.
Não tenho respostas.
Tenho apenas sentimentos
E não sei o que fazer com eles.

Angelo A. P. Nascimento
(2004)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sobre você

"Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue... Se sentir saudades, mate-a! Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o. Circunda-te de rosas, ama, beba e cala. O mais, é nada!"
(Fernando Pessoa)

Já dizia alguma poetisa aí que não me lembro o nome: "é preciso renovar-se!" Reformular-se é uma necessidade básica para poder seguir em frente sem permitir que pedaços seus fiquem ao longo do caminho. Encontrar uma nova saída, encontrar uma atitude ponderada, encontrar a tranquilidade frente as coisas impassíveis de mudanças.
Aceitar que precisamos uns dos outros não é a mesma coisa de se admitir dependente. Ao passar do tempo, descobrimos que nossa independência cresce à medida que nos relacionamos sadiamente com outras pessoas. Isso é renovar-se, manter-se em movimento. Deixar coisas para trás que já não nos revestem de seguranças, embora haja dor no processo. E geralmente sempre há...
Tudo que precisamos é encontrar a fonte que jorra a coragem para a mudança que todos nós procuramos. Não percamos tempo procurando em lugares ermos, em outras pessoas, em objetos. Olhe apenas para dentro de si. Não tudo, mas quase tudo que você necessita para ser melhor está lá. Acredite em você! Tire um tempo e viaje a si mesmo. Você próprio é um grande espetáculo!
Angelo A. P. Nascimento

domingo, 5 de julho de 2009

Chuva

(Praia da Ponta Negra - RN - em 03 de julho de 2009)


Queria poder entender a violenta sutileza que move o mundo e que funciona como algoz da minha vida. Pergunto ao meu café da manhã se ele se sente tão confuso quanto eu: pronto para ser devorado. Como são engraçadas as experiências se movendo, uma atrás da outra, mesmo parecendo que não saímos do canto, mas sofrendo e aprazerando-se das mais diversas situações.
Queria tanto compreender a complexidade satisfatória de minhas fantasias e dar um breque à procura e ficar assim como estou, parado, observando a solidez temporal, mas sem ansiedades, sem apertar contra o peito calejado tantas rosas hipotéticas.
Gostaria de me livrar dos pesos que se acorrentaram aos meus pensamentos e não ver o seu nome gravado neles, como algemas invisíveis que me impedem de dar continuidade à marcha inevitável de viver. É tão ridículo ver estes mesmos pensamentos tomarem forma e me digerirem a cada lágrima que brota desobedientemente, me dando o tamanho significante da situação.
Já não sei mais o que sou, depois que me acompanhei de sua ausência, de quantas amarras me prendem a circulação e forçam a asfixia das atitudes.
Tenho medo de dormir, desde o dia em que descobri que o escuro muda de forma e a massa de ar brinca mostrando os momentos que não vivemos. Estou tão cansado de luzes artificiais para espantar a noite! Queria que amanhecesse de verdade, de modo que eu não precisasse me convencer das lâmpadas.
(Apressa-te, dia, em meu auxílio, porque preciso de fotossínteses, de firmar novas raízes e o oxigênio dos grandes problemas já é por demais rarefeito.)
Até mesmo as minhas palavras são verdes diante da maturidade de minhas dores, acentuando a disritmia do sentir e extravasar. Creio que sou um invólucro de sensações, emoções tantas comprimidas. Sou pequeno para o muito que sinto. Tenho incomensuráveis medidas interiores e acho que, por isso, seja errado eu ser concreto.
Acredito que ser etéreo é um sonho, mas é de coerente idéia a minha personalidade plasmada. Determinados elementos têm a capacidade de reunir. Pergunto-me se você é a criatura que me condensa.
Apesar das distâncias, é por você que chovo todas as tardes no jardim de suas promessas.


Angelo A. P. Nascimento

(27 de maio de 2000)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Silêncio

Pura falta de inspiração me toma esses dias, não sabendo o que escrever e não conseguindo organizar qualquer idéia. Queria postar algo mais divertido, mas não ando na lista do Top 10 bem-humorados da semana. Queria escrever outra poesia, mas a que eu quero é de se jogar do vigésimo andar e, como já postei umas pesadas recentemente, tenho medo de me tornar responsável por alguém que amarrou uma pedra no pescoço e se jogou no Ganges, ou no Potengi, ou no Tietê, ou no riacho de sua cidade (vale açude). Então, para fugir desse marasmo mental e tentar neutralidade, lá fui eu buscar mais coisas guardadas (não, eu não estou fazendo faxina para encontrar tanta coisa antiga!) e achei um poema dessas épocas em que nada acontece, reinando a monotonia. O texto que segue é de 28 de agosto de 2001. Sensações se repetem.


Aguardo a inspiração (demore não, "fia"!)

Abraços a todos.

Angelo

Tudo em volta está em estranha calmaria
Papel, lápis e eu nos olhamos
E sobre nada temos conversado.
Silêncio, sórdida estampa,
Não há palavras a serem soltas
Não há nada a ser dito
Não há nenhuma dor
Não há nenhum amor
Não há gritos ou mexericos.
O mundo está em sua órbita
O coração está bem em seu lugar
Não há lágrimas ou sorrisos
Nem inimigos
Nem amigos
Não há solidão ou saudade
Tudo está em estase
O silêncio,
Só ele...
(Angelo A. P. Nascimento)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Por que meus pés não me obedecem?

Make you feel my love - Adele

Sei dos sonhos, da dor e das flores
Sei das músicas que tocavam felizes e lentas
Sei de suas bobagens e sorrisos gratuitos
Sei de todos os abraços
De todos os olhares que se perderam janela afora
Das noites que demoramos a dormir
De tudo que enfim deixamos para trás.

Mas me responda:
Por que meus pés não me obedecem?

Sei da alegria agora tosca
Sei o que dizer para continuar civilizado
Sei da força que agora controla
Meus olhos na sua boca.

Sei de mim, parado aqui
E escrevo cartas e mais cartas
Onde tento dizer
O que não sei sentir.

[Por que meus pés não me obedecem?]
Angelo A. P. Nascimento

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pequena lista das dores amorosas humanas

[Sentir algo estranho correr a espinha:
é essa a sensação de ver partir.
Uma sensação adrenérgica,
seguida de torpor e frio nas mãos,
bem própria daqueles que se drogam.]

Quero a obscuridão dos fundos oceânicos
e a sinfonia de pianos submersos.
Quero que destruam-se os demônios dessa alçada,
as fúrias e o desequilíbrio que carrego.
Quero o descanso,
mas não a morte, cama preparada.
Quero a tranquilidade de vidas cansadas
e, de fundo, uma música com vozes maternas.
Perco-me nas conversas de partilha,
nada de conforto.
Nada, a não ser cochilos e sonhos.
Dói-me sofrer o desentendimento.
Dói-me sofrer o fim das coisas
que não deveriam ser findas.
Dói-me não usar as palavras certas
e não ter o coração certo para tocar.
Dói-me buscar o que longe está,
em abrigos idosos,
viver sentimentos desacreditados pelo tempo.
Dói-me ser humano e experimentar dores divinas,
comportar e transbordar a afeição exata,
carregar o corpo
e procurar a alma,
escrever frases que não serão publicadas,
falar do sim, do não e da dor,
de sentir na veia licor de menta
e sentir os braços ofegarem por abraços.
Dói-me ter no corpo a cabeça
e guardar os pulmões numa gaiola,
estar preso a simples religiões
e ter a certeza das abstratas orações.
Dói-me saber que termina
e poder ser feliz se começa.
Dói-me ver o futuro explodir de casulos
E virar breves asas do presente.
Dói-me ver a vida parcimoniosa
alimentando pombos tristes
com migalhas de felicidade.

Angelo A. P. Nascimento
(26.02.02)
Ps.: Porque toda tristeza é epígona ao amor

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Muitas vezes

Muitas vezes não sei o que sinto,
Apenas vejo-me preso à necessidade de juntar palavras
E mesmo que não tenham significado universo,
Para mim, elas falam.

Quando chove em mim,
Abrigo-me em versos
Tipo um diário-telhado
Que dá segurança ao meu grito.

Muitas vezes não sei o que sinto,
Apenas sinto,
Só isso...

Angelo A. P. Nascimento
(Janeiro de 2002)

A evolução da vidinha

Este texto aqui é uma resposta a um comentário feito em outro post, por Melke. Trata-se de um idéia bacana sobre o antes e o depois da minha vidinha universitária. Pois bem, eis a verdade...

Minha vida continua um desafio:
Ainda não sei cozinhar
Ainda não falo inglês, mas tenho que ler todo dia um monte de artigos científicos!
Não ando mais de ônibus (oh, glória!!!!)
Continuo muito alérgico
Ainda sou estudante, mas de pós-graduação
Trabalho mais ainda que antes
Ainda não sei pregar botão (nem quero mais aprender)
Ainda passo noites em claro
Economizo menos energia e telefone
Tenho um estetoscópio massa!
Continuo detestando a faculdade em dois horários (agora é um ministrando aula e outro horário assistindo aula)
Agora só durmo com quem posso (delícia!)
Almoço com bem mais que dois reais (mais delícia!)
Emagreci (dei trabalho), engordei (me aquietei), emagreci (voltei a dar trabalho) e ainda sou gordinho (me aquietei de novo)
Meus pais continuam separados
Acho Natal mais legal do que antes e Ano Novo também
Não tenho mais tempo de ler horóscopo de jornal (mas vez ou outra, olho o da internet)
Continuo adorando uma cervejinha (e whisky também!)
Conheci mais um tantão de gente chata e descobri que existem pessoas realmente muito ruins, mas também conheci muita gente bacana
Embora essas coisas tenham mudado,
Ainda faço poesia.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vidinha

Achei essa poesia rabiscada em um caderno de quando eu cursava a universidade. Acredito que tenha sido em um dia bem tedioso, desses em que a gente conta mais desgraça que alegria. Ainda bem que, no meio de tudo, achei algo bom. Ela data de janeiro de 2002. Foi uma época bacana, de muitos sufocos e alegrias. Riqueza de experiência inigualável.
Essa veio do fundo do pâncreas e tem gosto de saudade!
Acredito que as palavras sempre vão me amparar.
Abraços!

Minha vida é um desafio:
Não sei cozinhar
Não falo inglês
Ando de ônibus
Sou muito alérgico
Sou estudante
Trabalho
Não sei pregar botão
Passo noites em claro
Economizo energia e telefone
Tenho um estetoscópio ruim
Detesto a faculdade em dois horários
Só durmo com quem não posso
Almoço com dois reais
E ainda sou gordinho
Meus pais são separados
Acho Natal e Ano Novo um saco
Leio horóscopo de jornal
Adoro uma cervejinha
Conheço tanta gente chata
Mas mesmo assim
Ainda faço poesia.

Angelo A. P. Nascimento

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Poeminha para aquilo que se espera na janela

Foto: Ana Castro (Disponível em http://www.flickr.com/photos/31325309@N00/16872799/)
Amor, quem dera bicicletas,
Carreira, brisa, som de sino,
Fim da expressão de espera.
Quem sabe, amor, congela
Esse tempo que nos mastiga
E não surge pressa.
Amor, quem dera não existir espaços,
Somente um só lugar que nos vela.
Quem dera, amor, quem dera,
Que tudo acontecesse conforme o que se reza,
Quem dera fôssemos os amantes derradeiros,
Quem dera pudéssemos guardar
A sensação do primeiro beijo
E seguir como linhas férreas,
Sempre paralelas,
Até alguma boa estação,
Onde os tantos sorrisos já não importam
Pois estaremos esperando um pelo outro
Com flores na mão,
Café no fogão
E rosto na janela.

Angelo A. P. Nascimento
(09 de maio de 2002)

domingo, 14 de junho de 2009

Sobre esperanças

Manter esperanças vivas
é como proteger velas
em ventanias:
mesmo sendo quase impossível,
o fazemos
instintivamente.
Angelo A. P. Nascimento

Existência

(Carnaval de 2009 - Não lembro o lugar da foto)


Foi-se o dia dos namorados e não postei nada, mas ainda estamos no fim de semana dos namorados, não é? Então fica a minha mensagem do fundo do pâncreas.

Abraços!

Amor por todo lugar!




Desenvolvi um aprendizado
Todo especial, ao te amar.
Aprendi segredos que nada
Carregavam mistérios em si;
Esperavam, sim, que estivéssemos
Com as vistas preparadas para olhar.
Ensinamentos gratuitos, delicados,
Guardados em flores,
Em pedaços de guardanapo,
Em músicas de antes despercebidas,
Em olhares agora orientados.
Aprendi um amor sensível,
Aprendi um amor claro,
Capaz de iluminar tudo.
Aprendi um amor de mãos dadas
E dedos entrelaçados.
Aprendi um amor sem relógio,
De cochilos e cócegas.
Aprendi um amor simples,
Tanto quanto o barulho e o silêncio,
O calor e o frio,
O sorriso e o olhar,
Onde cada um coexiste com o outro
Sabendo o seu lugar,
Exercendo suas funções sublimes
De casar e ainda existir.

(Te amo, sempre e de todas as maneiras)




Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 10 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

Descanso

O tirano descanso esquecido
De um corpo largado no canto
Sem chama.
Sem cobertor,
Sem outro corpo aquecido.

O tirano pesadelo submundo
Insólito e insípido
Inflamável e estúpido
Com agulhas, cateteres e navalhas.

O descanso aqui inscrito
Prossegue hibernável e divino,
Sinalizado por lápides e mármores frios.

Prossegue tênue
Amarrado à vida por um barbante.

E, no céu,
Minha consciência flutua,
Tipo pipa de menino,
Com rabiola colorida e vento,
E muito vento...



Angelo A. P. Nascimento

(2002)

Chão

(Céu de Natal -RN- um domingo em que a lua resolveu levar um sol)

O que não faço, abandonado,

É a ação do amor na contra-mão.

Tenho dias ensolarados

E, ainda assim,

Tenho frio nas mãos.

Tenho teto, consciência, chuva e solidão

Entre um passo e outro

Simplesmente não acho o chão.

Então, flutuo à deriva...

(Para onde vou,

Criaturas pequeninas?)


Angelo A. P. Nascimento

(Em outra época, sem chão e sem data)

domingo, 31 de maio de 2009

Como esquecer um amor inesquecível em vinte e dois passos

Parece que o mundo enlouqueceu nas últimas semanas! Tanta coisa vem acontecendo com tantos ao meu redor, mas uma coisa me chamou a atenção: aumentou o número de colegas que estão sofrendo de amor!
São verdadeiros depoimentos de dores indescritíveis que não passam, de juras (frágeis juras) sobre nunca mais amar, de solteirices convictas e de vantagens do novo estado civil. É interessante observar como cada pessoa reage de uma forma e poder confrontar com meus respectivos momentos passados guardados no fundo do meu pâncreas. Pensando nisso, procurei no meus antigos cadernos algo que eu tenha escrito para lidar com essa frustração, com essa desesperança, e juntei com uma foto do céu de Sampa (março de 2009) para fazer esse post sobre o que aparentemente é um fim.
Como já falei, esse blog é terapêutico, pois me põe frente a frente com coisas que escrevi em épocas outras e me permite uma releitura. Muito bacana perceber que também já lidei com essas perdas e saí vitorioso.
Pensando nos amigos que experimentam isso agora, listei dicas experientes para esquecer um amor inesquecível. Algo como "Esqueça um amor inesquecível em vinte e dois passos". Veja que algumas medidas são de natureza imediata, outras são mais tardias. Ordene conforme a necessidade. Estou aqui para maiores esclarecimentos. Sorte a todos. Força, sempre!
  1. Chore bem muito! Até secar!
  2. Queime todos o cartões e fotos. Não se faça de doido e apague também aquelas da pasta do pc que você está fingindo que não lembrou;
  3. Compre um litro de sua delícia etílica preferida. Se você gostar de cerveja, compre uma grade. Tome um porre com força (esconda o celular para não dar um show telefônico de madrugada!);
  4. Escreva o nome da criatura sem futuro em um folha do tipo ofício, frente e verso. Em seguida, rasgue bem picadinho, suba num prédio e jogue (o papel picado, não você!!!!!);
  5. Fale mal, bem muito mal, mas só para um ouvido confiável ou para um amigo mudo, de modo que não saia dali. Se você não tiver um amigo confiável ou um amigo mudo, dê um porre violento no amigo menos desconfiável que ele não lembrará de nada ao se recobrar;
  6. Ponha no msn frases bem xexelentas sobre como é bom ser solteiro (As músicas de Latino tem umas assim);
  7. Sabe aquele amigo bem desligado que não entra no msn e não viu sua frase de aviso prévio? Pois é, você vai encontrá-lo e não tem como evitar a infame pergunta ao fim do cumprimento: "Cadê fulano (a)?" Haja com parcimônia e não desfie um rosário de sua "trajetória de dor e sofrimento" para a coitada e desinformada pessoa. Apenas faça de conta que não escutou. Se ela insistir na pergunta, diga que terminou. Se ela perguntar por que, mande ela dar uma volta. Se continuar pentelhando, goze do direito momentâneo que a condição de rejeitado lhe dá de ser grosseiro;
  8. Escolha uma música para ser trilha sonora desse momento pouco auspicioso;
  9. Não caia na tentação de escolher "Detalhes" ou "Amor perfeito". São duas opções suicidas;
  10. Tome outro porre, agora com trilha sonora;
  11. Não que tomar só? Bote a trilha sonora, dê um outro porre naquele amigo e fale mal de novo;
  12. Faça uma lista dos defeitos que você não suportava e que, graças a Deus, você não vai precisar continuar a conviver (tipo arrotar, palitar os dentes em público, cochilar e babar no seu travesseiro, calcinha ou cueca no chuveiro...);
  13. Saia para uma balada (uma em que ele(a) não vá, por favor!) e passe o rodo!
  14. Ele(a) está lá? Coloque em prática o plano número dois: tome um porre e passe o rodo!
  15. Escreva bem muito para colocar para fora, mesmo que você rasgue depois;
  16. Viaje;
  17. Conheça gente nova;
  18. Construa novas lembranças;
  19. Tire novas fotos;
  20. Perceba-se sorrindo;
  21. Escute a dita música e tome outro porre!
  22. Ocupe-se produtivamente.

Caso, ao fim de tudo, você perceba que não passou a danada da agonia, apenas aceite que não existe um botão "liga-e-desliga" para os sentimentos. Recupere as forças e veja que não há outra opção além de seguir em frente. Toda essa dor vai se diluir ao longo do tempo e você vai sair dessa. Acredite: a vida é cheia de possibilidades e sempre existirão novos amores para serem vividos.

Recomendação máxima: me chamem para o porre!

Descasca a lua,

Retira a pele do céu,

Vê meu corpo que sangra,

Que tinge de tristeza as tardes senis.

Vê, lá longe,
Um barco que apenas vaga,
Existe no céu uma estrela
Que de nada adianta
E nada tem a acrescentar.
Retira as vestes da abóbada celeste,
Deixa a minha dor subir
E, devagar,
Evaporar...
Angelo A. P. Nascimento
(1997)


sábado, 23 de maio de 2009

Seis coisas que odeiam em mim (a toa)

Estava eu, um dia desses, a conversar com amigos que falavam sobre “defeitos”. Ao cair na berlinda, foi-se o meu rol de características, digamos assim, pouco positivas (é menos agressivo!). Claro que voltei para casa e passei uns dias encucado com isso, inclusive lembrando de outras conversas já tidas com outros amigos. E então, para me conhecer melhor, passei uma lista no trabalho de “10 coisas que eu odeio em Angelo” (não deu dez! Ufa!).

Ficam essas, para que a reflexão seja pública!

1 - Complicado e perfeitinho

  • Tem música com essa temática, então não sou o único! E não sou perfeito, pois tenho minhas limitações também. Por exemplo, não sei beijar e dançar ao mesmo tempo ou beber água e andar simultaneamente!

2 - Radical

  • Faça de conta que eu sou um esporte com muita emoção e fica mais fácil seguir!

3 - Reclamador

  • Não faça o que eu não gosto, que eu não reclamo (trato perfeito!).

4 - Humor negro

  • Isso é preconceito e dá cadeia. Ah! É inafiançável o crime.

5 - Mania de aperriar os outros

  • Não exista que eu não aperreio. Como você existe e reclama por que eu aperreio, eu aperreio mais ainda para você parar com essa mania feia de reclamar (viu, como não sou só eu?).

6 - Estou sempre certo

  • Bom, eu estudei! Quer aula particular? Faço precinho camarada...

Dedico esse post especialmente a André, Lelê, Anderson, Camilla, Madson, Leto, Waguinho e Allysson.


Certezas

Das certezas que levares,
Uma é a mais acertada:
Sobre a leveza dos momentos,
Sobre a alegria proporcionada,
Sobre a rotação dos planetas,
Sobre as mãos buscadas,
Sobre as músicas benditas,
Sobre as luzes apagadas,
Sobretudo
Sobre você,
Sobre mim sobre você.

Angelo A. P. Nascimento
(2002)

sábado, 16 de maio de 2009

Angústia

Pôr-do-sol em Uberlândia - março de 2009


Que o amor seja sempre guia

Que a alegria que talvez se encerre agora apenas adormeça

Que seus olhos ainda me reluzam no meio da noite

Que nossa espera morra diferentemente em cada janela

Que essa angústia vire a paz que tanto merecemos

Que a vida seja sempre passível de revê-la

Que toda e qualquer lágrima nossa brilhe no céu

E vire uma estrela.

(Te amo)


Angelo A. P. Nascimento
(2003)

O ponteiro dos segundos

Sim,
Estava bem ali,
Olhando fixamente
A fera para mim,
Avançando severa,
Cada vez mais perto,
Faminta,
Hedionda.
Cerro os punhos,
Defesa inócua,
Me devora então
O ponteiro dos segundos...

Angelo A. P. Nascimento
(15 de abril de 2000)

O momento de contrariar o mundo

A vida nos exige tanto e sempre e tanto. Penso no momento em que acordaremos com aquela consciência que não há peso em seguir em frente. Penso que um dia teremos nosso dia em que magicamente iremos contrariar as expectativas do mundo.
Interessante que não se trata de ser descoberto pelo próximo, mas de permitir-se descobrir, num processo de se abrir para si mesmo e se olhar inteiro, como um milagre, que não precisa de legendas.
Ali reside apenas a simplicidade de ser o que se é, por obra de um amor criador.
Nesse momento, somos a própria imagem da fé, somos nosso próprio milagre, somos superação.
Por problemas no blogspot, não consegui postar o vídeo de Susan Boyle, mas vale a pena conferi-lo no link abaixo e entender melhor o que quero dizer:

Continuemos a correr com a vida,
Como animais sendo tangidos para frente
Sempre.
Continuemos esse ritmo,
Como se um pedaço nosso sempre faltasse,
Como se houvesse infinitas provas a serem vencidas,
Como se nunca fosse o bastante,
Como se nunca houvesse direito de remanso.

Continuemos com a vida,
Minhas caras locomotivas...
(Angelo A. P. Nascimento)

domingo, 10 de maio de 2009

Homem

Homem,
Ora,
Não sou tatu,
Mas também preciso de buracos e armaduras,
Vez ou outra,
Quando a vida implica.

Sou homem feliz e triste,
Do mesmo tipo de outros que te rodeiam.

Tenho minhas rupturas,
Minhas suturas
E uma infindável vontade de viver.
(Ao teu lado)

Angelo A. P. Nascimento

_________________________________________________________

Recebi esse selo de um novo amigo, cujo blog sempre leio. Agradeço o carinho, Nobre Epígono. Que as palavras continuem amenizando os pesos dos sentimentos.


"Regras deste selo: Esse é o Troféu do Amigo! Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!!"Meu indicados são:

http://www.nobreepigono.blogspot.com/

http://www.ricardocambraia.blogspot.com/

http://www.lucenafilho.blogspot.com/

http://www.bichoesquisito.blogspot.com/

http://www.processoesxtatico.blogspot.com/

http://www.cricofelix.blogspot.com/


terça-feira, 5 de maio de 2009

Vazio de dia

Passei uma tarde contemplativo. Apenas me desliguei e notei coisas que se desapercebem com o acelerar da vida. Escutei “Wonderful Tonight”, por Eric Clapton e Mark Knopfler (obrigado pela dica, nobre Thiago d’Ávila) e fui inundado de simplicidades. Lembranças de segurança, de criança, de momentos que me deram a sensação de que a terra não gira tão impiedosamente.
Vi neblina na varanda.
Vi as plantas denunciando o vento, mesmo o tempo estando abafado.
Não, não havia livros em minhas mãos. Eu não li nada. Só continuei ali.
Vi como minha schnauzer me olha de maneira apaixonada.
Somente insisti em vê-la brincar aos meus pés, como seu eu fosse Deus a observar os humanos errarem inadvertidamente, para então colocá-la no colo, como a pegar uma criança, e sorri sem precisar de respostas.
Não tive inspirações, mas precisava escrever algo.
Escrevi esse vazio de dia e vi que não havia tantos espaços.
O mundo é até mais bonito se andamos devagar.
Queria tanto que, ao voltar ao meu ritmo natural, eu não esquecesse novamente como é não estar no automático, como é ter tempo de sentir coisas, como é ter tempo de receber amor.
E o mais estranho de tudo é que tanta gente que eu amo nem vai ter tempo de ler isso.
Mas eu as amo.

sábado, 2 de maio de 2009

Sopro

As letras são largos pesos amarrados a meus pés
E escorrem rotas pela minha boca
Fixando-se viscosas em qualquer superfície.
Meus dedos escrevem sobre as águas
Notícias de jornais vencidos,
Passados senis que se enroscam em meu pescoço,
Forçando meu descanso em meio ao nada.

E tenho medo...
Medo de cair e não encontrar as mãos
Que prometeram estar lá.

Tenho medo da solidão acompanhada,
De telefones que não toquem,
De portas que não abram,
De palavras que não falem.

Tenho medo de feridas que não fechem,
De corpos que não se encontrem,
De visgos e mal-entendidos.

Tenho medo de mim mesmo,
Da minha paralisia que se rompe brusca,
Da minha saliva que berra seca,
Dos graves e agudos das dores que latejam.

Tenho medo do frio que venha a me agasalhar,
Das velas que acendo nas ventanias,
Das letras e dos recortes que assombram a minha alma.

Tenho medo dos meus dedos soltos
Que escrevem coisas que em mim se eternizam
E nos outros
Simplesmente se apagam.
(Sopro...)

Angelo A. P. Nascimento

Adriana me canta.

Deixa eu te dizer o que Vinícius escreveu e o que Adriana canta,

Com a nula exclusividade das palavras,

Com o clichê da música,

Com a falta de originalidade da declaração,

Mas com a singularidade do que inexausto vivo.

Ps.: É seu cada acorde e cada sensação de fechar dos olhos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mais um dia branco

Eu poderia apenas dizer que são muitos meses, mas não posso nos resumir assim. Queria encontrar as palavras certas do jantar que naquele dia fiz e não consegui expressar. Queria poder fazer com que sua intimidade entendesse o que o meu coração tanto quer falar a você a todo instante.
...
Mas minhas fraquezas humanas hoje me nublam, como os dias frios e embaçados observados pela janela, sem muita interação. As palavras que tanto me acompanham apenas me fogem pelos dedos, sem cumprir sua missão de contar aquilo que meu amor conversa, com todos os pêlos de seu corpo e com sua barriga, de forma tão ingênua e perversa.




Encontro-me bobo, mais uma vez, diante do sentimento que você me provoca, após mais de mil dias.
Encontro-me fragmentado, sob a desculpa de você vir me juntar pedaço por pedaço e me reconstruir melhor do que antes.
...
Não conecto pensamento qualquer que não seja gratidão por ter me tornado o que sou, por me fazer descobrir que dentro de mim cabe um amor, que tem as suas medidas, mas insiste em transbordar por todo o meu cotidiano.
...

Quase mil e quinhentos dias brancos.

Mais um dia branco.
Te amo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O nosso amor

O nosso amor constitui a louça do canto da pia
E tem o aroma dos restos de bolo com café.
O nosso amor tem a beleza de primavera de flores de papel
Carrega a juventude emoldurada
De antigas penteadeiras
Tem o sabor ferruginoso
Dos beijos de algum ontem.
O nosso amor
Me traz a embriaguez de velhas cachaças,
O vento frio,
Chuvas,
Calçadas.
O nosso amor...
Silêncio!
Vamos velá-lo.
Angelo A. P. Nascimento
(23 de julho de 2001)

domingo, 19 de abril de 2009

A amizade no vigésimo andar

Praia de Pipa (Abril de 2009)
Procurei a palavra “amizade” no dicionário e achei a seguinte definição:
amizade
s. f.
1. Afeição recíproca entre dois entes.
2. Boas relações.

Tão simples, mas tão bonita... Nunca a vi como algo mais complicado que isso.
Sempre a vi como algo implicado na felicidade de duas pessoas, sem o peso dos laços familiares, sem a urgência da paixão e sem a exclusividade própria do amor.
É tão capaz de partilha que nada nos aproxima tanto da humanidade que Deus planejou para nós.
Amizade é isso mesmo e mais do que isso, pois tem partes dela que são impossíveis de descrever. Amizades são risos, silêncios, abraços, repreendas, apoios, noites atravessadas em claro com as mais estranhas histórias...
Amizade é o congraçamento de corações. (Gosto de como defino isso)
São companheirismos prosperamente frutificados, cheios de “olho no olho” e percepções nem sempre sutis sobre o outro, mas sempre divertidíssimas. É a língua de um país de dois habitantes. E que país! Cheio de gargalhadas e confidências; cheio de exposições; cheio de cuidados trocados.
É um laço tão forte, que o dizemos como a família escolhida.
É o ouvido que nunca ensurdecerá.
Então, em que momento os amigos se perdem de nós? Em que momento desavisado tiram nosso amigo de campo? Em que momento o jogo continua desfalcado?
Há bons candidatos a novos amigos que virão dizendo que, se aconteceu isso ou aquilo, não era amizade de verdade. Eu os contrario. Até ali era, sim! Era forte o suficiente para diminuir os pesos da vida. Era alegre o suficiente para colorir faces tristes. Era humano o suficiente.
Era amizade, sim, até ali...
Mas e o depois? Que haverá depois do amigo ausente?
Ninguém nunca deveria se sentir tão sozinho.
Apenas queria dizer da minha limitação em compreender como a afeição verdadeira e recíproca se perde em meio ao caminho.
Fica somente a ocupação em sobreviver do vazio que fica.

Palavras de Drummond:

“Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.”
(A um ausente)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Palavras que sacodem o pâncreas

Um amigo me falou sobre o blog mostrar um cara que não parece comigo. Ele me relatou fatos e fatos que me fazem bem menos introspectivo que o que ele enxerga em meio ao tudo que escrevo. Devo dizer que fui citado como mais brincalhão, mas a palavra usada foi “debochado”.
Sou debochado, sim. Sou sarcástico, piadístico (sem graça, mas vou em frente) e rio com as mínimas coisas. Gosto de piadas de pontinhos, de pintos que explodem e de humor negro. Curto demais trocadilhos infames, histórias de Seu Lunga, Casseta e Planeta, últimos mico-leões dourados, terças, quartas, quintas e sextas insanas, além de imitar os outros por seus traços mais marcantes e estranhos (devo ter imitado você em algum momento).
Mas não sei como escrever isso tudo aqui. Minhas “sacadas” não consigo fazer sozinho, pois preciso de diálogo para me aproveitar dos dizeres do outro. E agora? Como transportar esse outro eu para cá?
Já pensei em criar um outro blog de besteiras, onde tudo poderia ser perguntado e eu poderia responder todas as dúvidas com minha insólita mente criativa, das maneiras mais absurdas. Algo como meu amigo Madson queria para mim (ele diz que quando me perguntam algo, na hora em que vou responder, ele tem a impressão que luzes se abrem sobre mim e começa o meu show) estilo “Pergunte ao Tio Pote”! Acho que essa seria uma alternativa viável. Que você diz, Madson? Acho que essa seria uma opção até mesmo divertida.
Mas, como no fundo de meu pâncreas habita este outro Angelo, fica aqui delimitado seu espaço, continuando ele a escrever suas histórias recentes e passadas. E por falar em escrever, outro post, de outro amigo, citou sobre o dom de escrever versos. Acredito que cada pessoa tem seu meio de se conectar com o mundo. Se acaso organizo as palavras em versos, tenho amigos que o fazem com muito mais facilidade em suas crônicas; outros apenas satirizam sem qualquer preocupação vocabular.
Gostaria de poder escrever textos, como você, Lyrynho, mas tudo só me vem em versos na maioria das vezes. Apesar de não se trocar de dom, sei que um dia vou viver de prosa, ou ser todo prosa ou quem sabe melhor viva de verso e prosa.
O futuro dirá.
Por ora, vou apenas continuar a vidinha sem me torturar e quebrar a cabeça tentando me adequar às novas regras da língua portuguesa.
Que todos encontrem a sua maneira de externar palavras que lhe sacudam o pâncreas.
Bom resto de semana a todos.

Visita


Bate na porta:
Um som seco,
Um estalido.
Quem viria visitar a mim,
Um menino tão sozinho?
Entra, pois não me levanto,
Estou aqui a ver o fogo crepitando,
Venha a minha frente
Que para trás não olho,
Mas antes fecha a porta,
Sem ranger, por bondade.
Aproveita e fecha os ferrolhos.
Ah! É você, saudade?!
Senta aqui,
Bebe um trago
Quer fogo?
Deixa eu acender o cigarro.
Sobre o que vamos falar?
Não, sobre isso!
Não insista!
Droga!
Disso eu não queria lembrar...
Angelo A. P. Nascimento
(2 de maio de 2000)

domingo, 12 de abril de 2009

Meu aniversário

Ontem foi o meu aniversário, mas não pude postar nada pois estava viajando. Para não passar em branco, coloco aqui uma poesia de Vinícius de Moraes, o poetinha, cuja obra admiro tanto.

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Rio, 1942)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Lista de Páscoa

Escolha um ciclo para romper
Escolha algo novo para fazer
Descarte uma lembrança ruim
Perdoe-se por algo que você nunca conseguiu se perdoar
Renove suas forças
Redescubra sua fé
Não vá tão longe em busca de um milagre
Dê-se conta que você é o seu próprio milagre
Abrace alguém que precise de amor
Beije seus pais
Sorria para alguém desconhecido
Exercite a sua compreensão
Compre pelo menos uma flor e dê a alguém despretensiosamente
Perceba os desenhos que as nuvens montam
Brinque com seu filho
Admita que você também precisa de colo
Vá até um lugar calmo
Faça de dentro de si um lugar calmo
Aceite pelo menos uma coisa que antes era inaceitável
Entrelace os dedos das mãos e faça uma pequena oração de agradecimento
Busque, com todo o coração, sentir-se vivo
Não se culpe por comer tantos chocolates
Reúna amigos e família
Cante uma música sozinho
Não se preocupe com o passar dos anos
Veja que eles passam para todos
Despeça-se da nostalgia
Abra os braços para o novo
E acredite firmemente que a vida é cheia de possibilidades.

Feliz Páscoa!

Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 7 de abril de 2009

Hoje, quando te escutei

Hoje,
Quando te escutei,
Achei mais vivas todas as cores
E alguém em algum lugar sorriu.

Hoje,
Quando te escutei,
Chegou a paz em alguma guerra,
Alguma criança não morreu
E acho até que fiquei feliz.

Tenho certeza que aqueles
Que tanto se procuraram
Até que enfim se encontraram;
Uma pessoa sentiu-se amada;
Alguém disse que bem viveu;
Um filho voltou pra casa;
meu vizinho cantarolava.

Lá no fundo, eu parei,
Me emocionei,
Hoje,
Quando te escutei.

Angelo A. P. Nascimento
(02 de agosto de 2001)

domingo, 5 de abril de 2009

Resumo do Caminho

Encontro de ex-alunos do segundo grau
Amigos queridos guardados no fundo do pâncreas "Eu tenho fé no amanhã
No renovar-se do sol e do ser
Na possibilidade de crescer
Em poder fazer mais que viver
Que não dá para andar sem sofrer
Que um dia sem querer
E mesmo sem perceber
Formaremos um imenso clã."
Angelo A. P. Nascimento
1996
Nunca imaginei que colocaria essa poesia que escrevi no segundo grau como post de uma foto de reencontro de velhos amigos.
Quando a escrevi estava entre eles, então posso dizer que eles me inspiraram essa crença.
Nós mudamos, nós demos certo.
Beijo no coração de cada um de vocês.
Boa semana a todos.

Pedaço de vida

Estrutura antiga do Açude Gargalheiras (Acari-RN) - 2008
Ele passou um bom tempo correndo atrás de si, como se um pedaço da sua vida se esgarçasse, caso não conseguisse sabê-lo de todo. Percorreu a casa toda inundado da esperança de que, por sua displicência, tivesse deixado coisas importantes para trás e que podia pegá-las novamente. Ao chegar em seu quarto, percebeu que suas infâncias dormiam ali, naquelas paredes, com desenhos de gizes de cera cobertos de demãos de tintas, que acompanharam o seu crescer. Fechou os olhos e por um momento tudo se refez, com o cheiro dos lençóis desgastados, dos almoços, dos seus cachorros que já haviam partido, do vestido de sua mãe tocando o seu rosto quando chegava da escola. Podia jurar escutar os gritos de seus irmãos quando pequenos.
E foi ali, dando-se conta da irreversibilidade de suas seguranças que ele chorou baixo, esboçando a impressão que cada parede daquele lugar o aninhava de todas as dores do mundo, diluindo suas temerosidades.
A tarde caiu então silenciosa, respeitando toda a desorientação dele e, pela janela, dava para ver que a vida não acabava em meio àquela náusea. Havia mais dias e mais lutas. Não sabia falar de suas vitórias e derrotas, portanto comungou com os silêncios vizinhos e, pé ante pé, apenas seguiu em direção ao próximo lugar, mesmo sem sabê-lo qual seria.
Na porta da casa, voltou-se para trás e fechou-a acariciando a maçaneta meio velha. Verificou o piso embaixo de seus pés e concluiu que aquela cor surrada o confortava. Andou pela lateral da edificação com as mãos rentes, deslizando na superfície áspera e esta foi a única sinestesia recuperada legitimamente.
Assim, com o vermelho da tarde em seus olhos, ele partiu.
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