quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Final Feliz

Não sei como terminar histórias de amor
Digno-me a escrevê-las em início
Digno-me a realçá-las em seu decurso
Mas não sou romancista
Não sou especializado nos bons finais felizes
Creio que cabe aos outros o escrever do fim
Por que eu apaixonado
Por mim viveria em livre curso
De livro-amor eterno.

E sempre terminam assim:
Destroços salpicados de sobras de nós
Regados de momentos lacrimogênicos
Que invertem boas lembranças
Em recordações torturantes.

Como eu queria descrever por completo
As sinetésicas paixões
Impassíveis de serem relatadas
E poder congelar, mesmo que em palavras
A magia dos dedos enlaçados
E o único gosto dos lábios que se tocam
E descobrir na carteira a foto três por quatro
Que desencadeia verdadeiros sorrisos satisfeitos
O encontro de olhares sinceros
Os gestos que não ficaram perdidos
Resumir tudo isso no colo
E chamar de amor mais do que correspondido
Um amor perene
Um amor vivido
Um amor macio
Aquele mesmo das mãos trêmulas
Aquelo mesmo das cartas
Que nunca sonhávamos em escrever
Aquele mesmo que nos coloca nas músicas que escutamos
Que termina cada capítulo
Com o mais tranquilo adormecer
Aquele mesmo que rouba flores dos canteiros
Antes dos ansiados encontros
Aquele mesmo que queremos para sempre
Aquele mesmo amor que habita os perfeitos fins
Aquele mesmo amor que parece não ter fim
Aquele mesmo amor das noites de lua (que não precisa ser cheia)
Aquele mesmo amor que nos motiva
Este mesmo amor que não deixa que eu termine esse poema
Que não dá verso
Que não dá rima
Que dá vida
Que simplesmente é
No final
O amor.

Angelo A. P. Nascimento
(11 de maio de 2001)
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