terça-feira, 5 de maio de 2009

Vazio de dia

Passei uma tarde contemplativo. Apenas me desliguei e notei coisas que se desapercebem com o acelerar da vida. Escutei “Wonderful Tonight”, por Eric Clapton e Mark Knopfler (obrigado pela dica, nobre Thiago d’Ávila) e fui inundado de simplicidades. Lembranças de segurança, de criança, de momentos que me deram a sensação de que a terra não gira tão impiedosamente.
Vi neblina na varanda.
Vi as plantas denunciando o vento, mesmo o tempo estando abafado.
Não, não havia livros em minhas mãos. Eu não li nada. Só continuei ali.
Vi como minha schnauzer me olha de maneira apaixonada.
Somente insisti em vê-la brincar aos meus pés, como seu eu fosse Deus a observar os humanos errarem inadvertidamente, para então colocá-la no colo, como a pegar uma criança, e sorri sem precisar de respostas.
Não tive inspirações, mas precisava escrever algo.
Escrevi esse vazio de dia e vi que não havia tantos espaços.
O mundo é até mais bonito se andamos devagar.
Queria tanto que, ao voltar ao meu ritmo natural, eu não esquecesse novamente como é não estar no automático, como é ter tempo de sentir coisas, como é ter tempo de receber amor.
E o mais estranho de tudo é que tanta gente que eu amo nem vai ter tempo de ler isso.
Mas eu as amo.
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