segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Neuroses próprias

Eu perduro minhas neuroses
Pendurando-as nas orelhas, nas narinas e em meus pelos
E busco a rua que minha janela não vê
E durmo agoniado comigo mesmo.

Eu não pratico essa paz infinita
E esse bem estar uníssono e sonoro
Pois, minhas dúvidas, ponho-as na boca
Nos olhos e nas pontas dos dedos.

Nesse caminho que todos falam seguir
Eu apenas sigo o fluxo
Esperando achar o endereço
Que nunca anotei de mim mesmo .

Eu armo minhas neuroses em um varal
Estandarte de minhas fraquezas
Onde, complexas, se organizam como partituras
De músicas de bares e botecos embargados de insobriedade.

Cabisbaixo
Quero achar aqueles trinta e dois anos
Que meu espelho denuncia
E minha alma renuncia.

Minhas dores,
Somente elas
Sabem doer do jeito delas.


[Às vezes,
E apenas às vezes,
A vida se distrai
Desse tanto tempo que nos remonta.
E nessa hora, temos um lampejo de felizes,
E voltamos a primitividade de não pensar.
Somos então libertos de tudo
E deixamos de estabelecer lógicas
Para unicamente sentir]





Deus salve os instintos
E sua capacidade de romper as monotonias.
Deus perdoe as minhas neuroses
E essa minha condição vil de racionalidade.

[Onde estou, mesmo?]


Angelo  A. P. Nascimento
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