sábado, 14 de março de 2009

Sobre meninos e cachorros

Estava em um avião para Minas Gerais e, ao fazer conexão em Recife, comprei uma revista Super Interessante, a qual fala sobre como os cachorros evoluíram, o que remete ao meu post anterior em que falava sobre a possibilidade breve de iniciar a leitura sobre a teoria evolucionista de Darwin. Sintam a minha surpresa sobre a descrição dessas adaptações evolutivas desde os lobos até o nosso amável canis familiaris! A natureza é perfeita!
Dados interessantes expostos retratam a relação estreita que se desenvolveu entre o bicho cão e o homem, elevando esses primeiros ao nosso status de imagem e semelhança divina. Em verdade, o que é observado hoje é que cachorros e humanos se confundem no cotidiano, onde esses animais são inclusos como membros familiares, legítimos destinatários de todo o amor que haveria de ser apenas de outro irmão bípede.
Eu mesmo me peguei de quatro (trocadilho infame!), já que costumo dizer que uma schnauzer me cria, em vez do inverso. Sou proprietário (no meu perfil digo que sou pai! E sou mesmo!) de duas cadelas, uma Rott e uma Schnauzer, respectivamente Anuska e Athina. A primeira, enorme, desenvolveu um amor independente, sincero e, ao mesmo tempo, desengonçado, responsável por muitos desequilíbrios e quedas. Costumo dizer que ela é louca, pois destruiu todo o jardim de nossa casa, planta por planta, desperdiçando todo o dinheiro gasto com paisagismo, sem falar dos tapetes de grama carregados e os buracos cavados. Seu crescimento foi acompanhado com muito carinho, cercada de cuidados, beijos e abraços, porém seu reinado absoluto de pouco mais de um ano foi abalado com a chegada de Athina. Essa, sim, terminou de me quebrar as pernas e detonar o pouco de superioridade humana que me tinha restado.
Athina, por sua vez, em pouco tempo aprendeu a me colocar no bolso, a extrair de mim sentimentos estranhos, preocupantes, paternos... Lembro de seu primeiro adoecimento, as suas primeiras recusas de alimento, do domingo que vi nascer com ela dentro do carro em busca de uma urgência veterinária e as horas de fuga do trabalho só para vê-la e poder colocar aquela criaturinha grisalha no colo.
Nada disso é novidade para ninguém, afinal “Marley e eu” está aí para todos, em livro e em filme. Porém, eu tinha que dizer o quanto estou naquela reportagem que fala de secreções de ocitocina, de síndromes de dependência, de pouca variabilidade genética, de estratégias evolucionistas para seduzir o homem e conseguir alimento e todas as frentes psicobiológicas que tentam explicar essa relação.
Minhas explicações são mais simples. É amor mesmo, do mais simples, do mais puro, do mais gratuito. Outro dia até comentei com Athina, enquanto colocava água em seu bebedouro (falo mesmo!), que as pessoas deveriam ser como ela: alegres ao mínimo gesto. Com certeza, o mundo seria mais feliz, mais calmo, sem guerras e povoado de humanos criados pelos seus sábios cachorros.

Há quem não faça idéia do que falo. Desses eu só lamento ainda não terem se dado a chance de exercitar seus corações indefinidamente.

Ps.: Já estava morrendo de saudades delas. Papai as ama muito.
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