domingo, 15 de março de 2009

Carta para eu mesmo

Caríssimo eu,
Por onde andarás?
Saiu e não deixou recado,
Mas devo relatar um fato engraçado:
Tem um cara que é a sua cara,
Lá no espelho!
Pensando bem,
Ele não tem o seu sorriso,
Nem seu senso de humor singular.
Pra falar a verdade,
Ele até parece ser bem chato
E nada sociável.
Pô, velho eu!
Cadê você? Por onde anda?
O que tem feito?
Por que saiu sem avisar?
Eu ando por aqui, sem você
(Deu pra perceber, não é?)
Ando brincando com livros, remédios e algumas músicas,
Ando bagunçando a lua desses românticos namorados,
(Já contei que bagunçaram a minha?)
Ando fazendo escoriações no papel com a caneta,
Ando meio insone,
Tomando café com duas colherinhas de angústia.
Ah! Ia me esquecendo!
Manda abraços e notícias
Para aqueles velhos sentimentos que eu tinha.
Os quartos deles ainda estão vagos.
Até arrumei ontem
Com desinfetante de passado.
Ficou tudo com cheiro de "volta pra casa".
Abri as janelas pra entrar um solzinho,
Afinal, dizem que tira o mofo
(Sou alérgico a mofo, você se lembra?)
Bom, velho eu conhecido,
Vou terminando te anunciando
Que ando com costumes novos e tristes,
Com um ar meio soturno,
Um tanto calado
E com a pele do rosto bem hidratada
(Ando chorando com frequência, sabe?)
Vou terminar mesmo por aqui,
Sem mais delongas,
Olhando para ali,
Para o nada.
Fico aqui e espero até me encontrar
Ou encontrar você
Ou encontrar eu
(Que coisa confusa!)
Volte logo, viu?
Deixei a porta destrancada.
Quando entrar, faça barulho,
Solte uma daquelas suas boas risadas.
Estou louco pra te abraçar,
Mas antes disso,
Só porque você foi sem dizer nada,
Já está avisado:
Vou te encher de porrada!!!

Beijos pra você.
(Ou para eu?)
Angelo A. P. Nascimento
(2003)


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