sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poeminha do amor bobo

Eu te amei tanto
Que doía como se fosse físico
Que soava absurdo lírico
Esse você dentro de mim.

Eu te amei
Como se fôssemos dois meninos
Que sentados à beira do caminho
Nunca fosse possível crescer.

Eu te amei
E era tão alto que me punhas
Que lá de cima via tudo
E temia por descer e te perder.

Mas eu caí
E ao seu lado pude ver
Sua condição humana e vil
E não pude mais ficar e sofrer.

“-E se eu perder meu coração?
-Eu te dou o meu”

Você não me deu...

Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tempo

Eu passei um tempo longe das alvoradas

Não cantava passarinho
Não findava essa estrada
Não havia água boa
Ou descanso
Ou revoada.

Eu passei um tempo
Numa música triste
Num quase divórcio
Na morte consumada de uma filha
No meio de palavras que não saiam
No meio de tanto ar que não respirava.

Eu passei um tempo
Num tempo que não passava...

Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não quero dançar com outro par, pra variar, amor


          As palavras se tornaram sem efeito entre nós. Distanciaram-se como filhos que se vão e voltam em visitas raras. É o silêncio das verdades distorcidas, das crenças próprias e não acordadas que agora nos comunica. Foi você quem quis assim: um relacionamento de entrelinhas, sem divergências ou aborrecimentos. Calar, na sua cabeça, faz passar. Mas meu coração não bate desse jeito. Ele pulsa, pulsa e pulsa, com verbetes correndo em todas as vísceras, com a minha expressividade que pede fluidez. Preciso falar, mas não há ouvidos certos para escutar. Você precisa escutar, mas não tenho palavras certas para dizer.
E dessa forma, o tempo vai escoando por entre as nossas marcas de idade e companheirismo. Há espaços para mudanças, sempre, desde que não sejam no sentido contrário de nossa cumplicidade. Não admito sentimentos em marcha-a-ré.
          Apesar de minha aparência forte a todos, sou humano e também preciso que pare um segundo e cuide de mim. Aliás, quero que pare minutos, horas, dias, meses e até uma vida, se o amor desse tamanho for.
         Preciso de colo, frequentemente, embora não expresse. Preciso de beijos em intervalos nada regulares. Preciso de abraços como cura às adversidades e maldades que vejo mundo afora. Preciso que me escute, sem que eu pareça chato. Preciso de um sentimento involuntário, não treinado, que permita que eu descanse desse papel de senhor de tudo.
         Não quero cuidar o tempo todo.
         Quero seguranças de dedos nos meus cabelos.
         Quero a tranqüilidade simples da conjugação de vidas cansadas.
         Quero tudo aquilo que tenho direito, enquanto amado.
         Quero poder sofrer minhas angústias sem censura.
         Quero que você volte a me pôr na cama e me faça parar de seguir secando.
         Deixe-me dizer sempre que te amo.
         Diga-me isso sem parar, enquanto vivo.

Angelo A. P. Nascimento

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sonho de uma flauta


Porque todos nós sonhamos, hoje me calo para o Teatro Mágico me falar...
Espero que também a todos vocês. Prometo passar por todos nesse fim de semana.
Beijos e boa noite de sexta.

domingo, 17 de outubro de 2010

Insônia

Eu só penso em tudo aquilo que poderia
Como se tudo na vida fosse passível de ser condicionado

E nem tão perto
E nem tão longe
As presenças se perdem
E não sinto mais nada.

Desejo o sono dos vencidos,
Que todo esse medo suma
Tal como flautas e palhaços
Cujas alegria e sinfonia se esvaem quando as cortinas fecham
Após seu falso espetáculo.

Preciso de silêncios
Silêncios precisos.

Cuida de mim
Para que durma todo esse impreciso eu.

Angelo A. P. Nascimento

domingo, 10 de outubro de 2010

Para falar a verdade

Para falar a verdade,
Amor,
Não existe, não,
Beleza maior nesse instante
Do que eu e esse violão
E nele percorro o som
De toda a visão de seu adormecer.

E isso, amor,
São como frases que te cobrem
E colorem seus sonhos,
Com lápis e gizes
Que fazem crianças felizes.

Eu insisto, amor,
Não acorde, não,
Fica assim
E alimenta a esperança
De que toda essa felicidade
Não tem fim.

Eu e minha tristeza
Nos contentamos em silenciar
Se você jurar
Que a noite sempre virá
E que vamos sempre dormir
Para você me acordar.

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Colcha de retalhos de desamor

Recolhi alguns fragmentos sobre amores que tive e não tive, em meio aos cadernos, pedaços de guardanapo e folhas avulsas que tenho guardados. Fica a colcha de retalhos, ou será que ficam os retalhos que o amor fatiou?
Abraço a todos que vêm por aqui.


O meu amor já não é mais algum gigante invencível
Ou um colosso vivo
É um menino pequenino
Dividido entre partir e ficar
Entre criar raízes ou peregrinar.

Mas não faça mais do meu amor
Essa sinonímia solidão
Não entornes pelo chão
Mais uma vez o meu coração.

O meu amor...
Vou guardá-lo numa caixa
Longe dos teus cartões,
Das tuas lembranças,
Das tuas cartas.
Vou fechar com laços
Onde eu possa nunca tê-lo
Com cheiro de guardado.

O meu amor sofre a cada minuto
Que sonolento cambaleia flácido
Adormecendo pálido no frio chão do meu quarto.
Ele não responde aos meus berros
Não há mais quem receba os seus afetos
Borra-se a imagem de minhas carnes
O dois um dia fez-se um
O um agora fez-se metade.

Acabou-se a alegria
Agora caminha caquético
Choraminga velhos momentos
E, a míngua, sofre ataques esquizofrênicos.

Angelo A. P. Nascimento
(17 de maio de 2001)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Analfabetismo

Escrevi amor nas ruas
Nas paredes que toquei
Nos lugares que pisei
No vento que anunciava chuva
Escrevi amor nos atos
Tal qual letreiro luminoso em meus lábios
Escrevi nas músicas dos rádios
Nas buzinas do trânsito
Escrevi amor na vida dos vizinhos
Nas portas dos prédios
No cotidiano dos transeuntes que vinham
Nos livros da faculdade
Nas minhas dificuldades
Na minha tatuagem
Nos troncos das árvores.

Tudo ao meu redor tinha esta etiqueta
E jurei indelével
O amor que em ti escrevi
E que não soubeste ler.

Angelo A. P. Nascimento
(28 de maio de 2001)
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