quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Colcha de retalhos de desamor

Recolhi alguns fragmentos sobre amores que tive e não tive, em meio aos cadernos, pedaços de guardanapo e folhas avulsas que tenho guardados. Fica a colcha de retalhos, ou será que ficam os retalhos que o amor fatiou?
Abraço a todos que vêm por aqui.


O meu amor já não é mais algum gigante invencível
Ou um colosso vivo
É um menino pequenino
Dividido entre partir e ficar
Entre criar raízes ou peregrinar.

Mas não faça mais do meu amor
Essa sinonímia solidão
Não entornes pelo chão
Mais uma vez o meu coração.

O meu amor...
Vou guardá-lo numa caixa
Longe dos teus cartões,
Das tuas lembranças,
Das tuas cartas.
Vou fechar com laços
Onde eu possa nunca tê-lo
Com cheiro de guardado.

O meu amor sofre a cada minuto
Que sonolento cambaleia flácido
Adormecendo pálido no frio chão do meu quarto.
Ele não responde aos meus berros
Não há mais quem receba os seus afetos
Borra-se a imagem de minhas carnes
O dois um dia fez-se um
O um agora fez-se metade.

Acabou-se a alegria
Agora caminha caquético
Choraminga velhos momentos
E, a míngua, sofre ataques esquizofrênicos.

Angelo A. P. Nascimento
(17 de maio de 2001)
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