terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Porque eu não dormia


Me perguntavam
Por que eu não dormia

Era porque a vida era acesa
E o coração insistia em incendiar
Era porque sua ausência
Era vaga-lume
Era porque toda dúvida subia
Como a lua cheia
Em pleno meio-dia

Eu não dormia
Porque não importava
Se você estava ou sumia
Pois tudo que de ti partia
Alumiava minhas retinas

[Minha insônia iluminada...]

Angelo Augusto Paula do Nascimento

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Do lado esquerdo da cama


Eu te escrevo
Do lado esquerdo da cama
De onde, insone
Enlouqueço enquanto te quero
Enquanto te culpo
Enquanto me desespero
Onde o travesseiro afunda
Com suas insolências

Eu te escrevo
Do lado esquerdo da cama...

[E de onde você me escreve?]

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sábado, 26 de janeiro de 2013

Urgências




Eu tenho minhas urgências
Meu bem
E você pode não compreender
Esse desespero por amor
Essa necessidade de tanto querer

Sou meio triste
Sou meio comum
E totalmente avassalador.

Angelo Augusto Paula  do Nascimento

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Olhai para mim


Olhai para mim
É triste o que sinto agora
Eu não me conheço
Sou quem eu nunca vi

Olhai para mim
Não há soberba no meu sentimento
Há um constante estranhamento
Das coisas que já me foram cotidianas

Olhai para mim
Já não sou homem
Envelheci menino
E preciso de alguém
Que me embale para dormir.

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sábado, 12 de janeiro de 2013

Eutanásia


Existe uma parte de mim
Que quer morrer
Espraiar como a onda do mar
Que quebra e se aborta

Existe uma parte de mim
Que não tem retorno
Que ficou no escuro
Sem belezas, sem traços

Existe uma parte
Que quer se encerrar
Que quer deixar de sentir
Que quer sumir

E tem o meu eu todo
Que quer anestesiar.

[Hora da eutanásia
Desligando os aparelhos...]


Angelo Augusto Paula do Nascimento

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A tristeza exata




Mais tarde, amor
Agora vou comprar o pão
Não vou fazer poesia
Não insista, não
Parece normal
Sentar e te olhar
Mas não consigo
Existir sem penar

Porque eu preciso de música
Eu preciso de tua pele
Pra falar
Preciso de uma tarde que caia
Preciso da tristeza exata
E essa você não pode me dar

Eu sinto
Parece que me persigo
Que me jogo à própria sorte
Tudo é muito forte na hora
É quase desumano ficar

Mais tarde
Mais tarde, calor
Mais tarde
Agora não consigo
Agora tudo sinto
Agora sou tão teu
Agora tão ateu
Esse amor.


Angelo Augusto Paula do Nascimento

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A esperança do amor que colore





Risque-me como poema qualquer
Que não foi recitado
Minhas feições são apenas grafite
 Mas se assim queres
Apaga-me
Eu estou rabiscado na vida, mesmo
 Sou teu desenho
Tua arte
Tua monotonia
 Sou teu quadro branco de afetos
Na esperança do amor que colore.

Angelo Augusto Paula do Nascimento

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tanto penar

“Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar”

(Chico Buarque)





Esse desacerto
Sua insensibilidade
Sua maneira de ignorar
Seu olhar que não me cruza
Suas ruas desertas e escuras
Sua luz que insiste em não brilhar

Essa vida tão longa
E tão curta
Suas ausências profundas
E esse meu sentimento
Que não tem mais por quê
E ainda resiste a respirar...

[Eu nunca vou entender
Essa incompreensão
Do que sinto
E por isso
Desisto
E espero acordar
De todas as músicas de Chico
Que descrevem o meu penar]

Angelo Augusto Paula do Nascimento
Related Posts with Thumbnails