quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A insuficiência perene das palavras


Eu compreendo
A insuficiência perene
Das palavras
E isso eu aceito
Pois se contristo
Anoiteço e amanheço
Em meio a valsinhas
E rodopios pela casa
Que sempre acabam
Abafando os meus ais

É que minha tristeza
Já foi menos feia
Tinha dias que chovia
Mas tinha dias
De sol na escadaria
Na soleira e no batente
Em que você sorria
Da forma mais linda

Olha
Eu não consigo escrever
Para você partir
Embora insistentemente
Componha para me esvaziar
Eu queria
Fazer o poema
Que tudo falasse
Da forma mais bonita
Ou que chorasse baixinho
Mas meu corpo se agita
E sobe-me os traços
De sua poesia

Jamais esqueço
De sua pele branca
Porcelana fria
E da lua
Que escondia
A força que se esvaia
E o meu amor
Que fraquejava vida afora

Eu sei
É preciso respeitar
As mudanças do tempo
E não há mais nada para falar
Mas eu falo...

Angelo A. P. Nascimento

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