quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fardo

Tem um pesado fardo a noite
Que carrego sobre a cabeça
Num malfadado sentimento à parte
Tudo porque vi
A expressão divina de sua fala
Outra vez a mim apontando
E suas risadas
Músicas e baladas
Barulho fortuito
Que não me deixa dormir

Esse pesado fardo
Que me desequilibra
Entre ficar e partir
Deixa à mostra lacunas de concupiscência
A se preencherem de porvir
Deixa-me ver perfeição no imperfeito
E vislumbrar-me com a incerteza
De todo e qualquer pleito
Do amar e não sentir
E de ensurdecer aos ecos
Que gostaria de ouvir

É que as coisas que estão sendo olvidadas
Nunca se olvidam
No completo desmoronamento
Das razões e das paixões
E não me permitem
Ser homem ou animal qualquer

Será então
O amor bastardo
Ou o amor legítimo e sem fim?

Esse fardo é essa lua
Que enamora o impossível
E flutua sobre
Essa incessante passagem
De você por minhas carnes.

Angelo A. P. Nascimento
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