quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Esse é o desencanto do amor


Simples assim
Não há mais
Não há nada
E tudo se espalha pelo chão
Meu coração foi
Então
O seu lugar mais quente
E sentir assim
Pena
Por você, por mim

Olho o céu
Estrelas a cair
E minha pele salpicada de luminosidades
Apenas afunda na grama
Abandonando todas as flores
Cheiro de mato e caracóis

Enterro-me
Tranquilo
Ressentido
Firme
E não tão forte

Mas eu não sei dizer adeus
E jamais voltaremos a pendurar nossos sonhos em varais
E não haverá problemas ou amenidades diárias
Que possam sem contadas
E isso dói
Como se inteligível fosse  a forma de ser humana

Esse amor praticável,
Meu bem,
Foi-se embora com o dilentantismo
De tuas risadas que ousadas
Agasalhavam-se em minhas orelhas
Para nunca mais esfriar.

Perdi, amor, tudo aquilo que era tão nosso
E lamento
Lamento
Pois já não há meio
Já não há mais fim
E atodoardo
Tendo desistido de mim
Sobrevivo da pérfida esperança
De nossos caminhos sorrirem novamente.

Fico apenas com pernas soltas em sacadas
Com redes nas varanda
E suas promessas vagas.

E do que tenho certeza
Você me roubou todas elas
Ainda somos dois meninos
Sentados
Pés soltos no espaço
Escutando o mar que sussurrava
As preces do que seria para sempre.

E somos todos passarinhos..
Lute por sua liberdade
Eu luto todos os dias contra mim...
Não fale mais o meu nome
Eu posso ouvir daqui.

Eu me conformo
Nunca escreverei o que você quer escutar
Fui tomado pelo analfabetismo funcional
Não sei mais ler uma linha do seu corpo
Dos seus movimentos
De sua  graça
Serei sempre as pernas encolhidas e banhadas de lágrimas
Ainda que elas não caiam

Esse é o desencanto do amor...

Angelo A. P. Nascimento
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