sábado, 2 de julho de 2011

Meus pulsos


Tenho em mim palavras
Que se repetem viciosamente
Tenho lembranças
Que me distraem da realidade
Filosofias de almanaque
Nobres direitos não exercidos
Tenho sonhos
Que não se domam
Encontros
Que não se encontram
Tenho todo o amor do mundo
E princípios profundos
Que mal me deixam
Guardar-lhe nas retinas

Tenho essa briga comigo mesmo
E a enfadonha necessidade
De vozes e abraços
Tem essas letras
Esse papel
E essa caneta
Tem esses sons
Esses murmúrios
Sem destino público
Tem você
Que somente existe
Meus ombros caídos
E minhas sobrancelhas juntas

Tem tanta coisa
Todas as falhas
Todos os sentimentos
Todas as dores
E a constância
De nossas cortantes ausências

[Eis os meus pulsos...]

Angelo A. P. Nascimento
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