sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sonho de uma flauta

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Porque todos nós sonhamos, hoje me calo para o Teatro Mágico me falar...
Espero que também a todos vocês. Prometo passar por todos nesse fim de semana.
Beijos e boa noite de sexta.

domingo, 17 de outubro de 2010

Insônia

Eu só penso em tudo aquilo que poderia
Como se tudo na vida fosse passível de ser condicionado

E nem tão perto
E nem tão longe
As presenças se perdem
E não sinto mais nada.

Desejo o sono dos vencidos,
Que todo esse medo suma
Tal como flautas e palhaços
Cujas alegria e sinfonia se esvaem quando as cortinas fecham
Após seu falso espetáculo.

Preciso de silêncios
Silêncios precisos.

Cuida de mim
Para que durma todo esse impreciso eu.

Angelo A. P. Nascimento

domingo, 10 de outubro de 2010

Para falar a verdade

Para falar a verdade,
Amor,
Não existe, não,
Beleza maior nesse instante
Do que eu e esse violão
E nele percorro o som
De toda a visão de seu adormecer.

E isso, amor,
São como frases que te cobrem
E colorem seus sonhos,
Com lápis e gizes
Que fazem crianças felizes.

Eu insisto, amor,
Não acorde, não,
Fica assim
E alimenta a esperança
De que toda essa felicidade
Não tem fim.

Eu e minha tristeza
Nos contentamos em silenciar
Se você jurar
Que a noite sempre virá
E que vamos sempre dormir
Para você me acordar.

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Colcha de retalhos de desamor

Recolhi alguns fragmentos sobre amores que tive e não tive, em meio aos cadernos, pedaços de guardanapo e folhas avulsas que tenho guardados. Fica a colcha de retalhos, ou será que ficam os retalhos que o amor fatiou?
Abraço a todos que vêm por aqui.


O meu amor já não é mais algum gigante invencível
Ou um colosso vivo
É um menino pequenino
Dividido entre partir e ficar
Entre criar raízes ou peregrinar.

Mas não faça mais do meu amor
Essa sinonímia solidão
Não entornes pelo chão
Mais uma vez o meu coração.

O meu amor...
Vou guardá-lo numa caixa
Longe dos teus cartões,
Das tuas lembranças,
Das tuas cartas.
Vou fechar com laços
Onde eu possa nunca tê-lo
Com cheiro de guardado.

O meu amor sofre a cada minuto
Que sonolento cambaleia flácido
Adormecendo pálido no frio chão do meu quarto.
Ele não responde aos meus berros
Não há mais quem receba os seus afetos
Borra-se a imagem de minhas carnes
O dois um dia fez-se um
O um agora fez-se metade.

Acabou-se a alegria
Agora caminha caquético
Choraminga velhos momentos
E, a míngua, sofre ataques esquizofrênicos.

Angelo A. P. Nascimento
(17 de maio de 2001)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Analfabetismo

Escrevi amor nas ruas
Nas paredes que toquei
Nos lugares que pisei
No vento que anunciava chuva
Escrevi amor nos atos
Tal qual letreiro luminoso em meus lábios
Escrevi nas músicas dos rádios
Nas buzinas do trânsito
Escrevi amor na vida dos vizinhos
Nas portas dos prédios
No cotidiano dos transeuntes que vinham
Nos livros da faculdade
Nas minhas dificuldades
Na minha tatuagem
Nos troncos das árvores.

Tudo ao meu redor tinha esta etiqueta
E jurei indelével
O amor que em ti escrevi
E que não soubeste ler.

Angelo A. P. Nascimento
(28 de maio de 2001)

domingo, 3 de outubro de 2010

Reza


Senhor Deus,
Abençoa o meu punho
E permita também
Que eu permanentemente desabafe
E seja,
Junto com as palavras,
Um rio capaz de
Colocar no verbo a sensível carne
E que, afogado em versos,
Eu viva
E consiga
Ecoar o que me vem na alma
O que me debate no peito
E ser
E ser
E eu mesmo ser.

Angelo A. P. Nascimento
(2001)
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