domingo, 4 de março de 2012

O poema fiado no dorso


Repaginei toda e qualquer folha escrita
Por onde seus dedos passaram
Tontos de prosa
Atordoados de melodias

Redefini suas formas e rimas
Como se fosse possível
Ferir sua métrica
E o cavalgar
De suas sílabas poéticas

Então recitei-te
Como criança apaixonada
Cujo bilhete escondido
Foi entregue e arrependido

E continuei ali fitando
Com a perplexidade do primeiro amor
A mudança do seu corpo em letras
Que desfilaram por minhas linhas
Fiando poemas em meu dorso cansado

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Peleja

Foto: @katia_tch Instagram

Eu pelejo
Por sobre a sua pele
À Procura de brechas
Que se preencham
De meus benditos sons
Malucas palavras
Que te ressonam
No meio das madrugadas

[E o sereno balbucia
Ao desfazer-se
Apenas por existir-te]

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de cinzas



Tudo acaba cinza
Depois do inexplicável
Silêncio das palavras.

[Mas é carnaval...]

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Brutalidade





Eu não tenho licenças poéticas

Sou bruto

Empurro a poesia.


Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Recital



Todo mundo tem algo para contar
Arrisco-me a dizer que somos contistas
Escrever para quê?
Para contar de nosso amor
De nossa dor
De nosso espaço
De nossas incertezas
De nossas humanidades

Contamos tudo
Queremos um ouvido
Um coração amigo
Alguém que na infinidade
De qualquer desconhecido
Recite conosco essa vida
Que se escreve poesia.

Angelo A. P. Nascimento

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Alimento

Floricultura - Barra da Tijuca -RJ

Sei que fui de vez
E que ainda volto sorrateiro
Com flores e palavras
Com um motivo que não sei

Mas tente entender
Minha fraqueza por você
Que sua pele
Franco céu de sardas
É alimento para minhas palavras.

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Palavras roubadas



Eu sei que você me lê
Mesmo que eu embaralhe todas as letras
Mude a ordem das minhas páginas
Me vire de cabeça para baixo
Ainda assim
Sei que você me lê

Você enxerga
A maioria das minhas páginas em branco
As que estão escritas erradas
E as que você pode ajudar a corrigir

E me disseram
Que ser esse tipo de leitor
Pode ser amor...

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sábado, 21 de janeiro de 2012

Procura-se




Eu não sei quem inventou o amor
Nem se foi criado
Se foi moda
Se foi capricho
Ou mesmo maldade
Ou experimento de terror

Eu não sei
E se duvidas
Procura no Google
Na Barsa
Ou no Wikipedia

Esse infeliz
Que palhaça nossas vidas
Brinca sem graça com nossa cara
E tem um tal cupido
Que leva a culpa da entrega do embrulho
Ô, menino estúpido

Eu não sei quem inventou o amor
Mas vou colocar no Messenger
O anúncio de uma recompensa:
Mata esse fulano
Esse doidivanas insano
Pago mil reais
Pelo corpo e estupor

Mas caso todos falhem
Façam-me um favor
Arranjem um culpado
Desses que não vai saber
Nem o que o acertou
Meu coração, coitado
Pede vingança
Se lascou.

Angelo A. P. Nascimento
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