domingo, 1 de janeiro de 2012

De braços bem abertos



Aguardo o passar de tudo
Chuva e sol
O barulho diurno
A quietude da noite
A grama que germina
A velocidade das bicicletas
A sua nova vida

Enquanto isso
Todas as coisas
Os móveis
Os livros
Os discos
Recitam o que deliro

Vez ou outra
Eu choro com seu nome entre os dentes
E insisto em não fechar os braços
Para não apertar a própria dor

São meus soluços que embaçam
O vidro das janelas
São minhas pernas
Colunas dormentes e estáticas
Que sustentam a minha apatia
Mas mesmo assim
Espero tudo que me for certo
De braços bem abertos.

Angelo Augusto Paula do Nascimento
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