sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carne, sentimento e poesia


Minha menina
Eu não passo de carne, sentimento e poesia
Essa vida que se desfia
Nos deixa cheios
De luas
E despedidas

É porque eu queria
Dizer-lhe muito mais
Do que toda palavra repetida
Do que toda a cotidiana alegria
Que se desfaz
Na sua ausência
Dor que não finda

Sempre há uma canção
Para seus olhos
Que tristes
Traíram meu coração
E para os meus braços
Laços cegos entremeados
Que dançam a valsa manca e dolorosa
De flores murchas
Que acompanham o vento
E recontam, pobres, as nossas histórias

Minha menina
Minha nobre criança perdida
Eu te encontrei em ruas de samba
Como o mais belo ornamento das rodas
E te perdi na mais fina melodia
Mas continuo passista
Escrevendo rimas
Só para ver você passar
Por minhas avenidas.

Angelo Augusto Paula do Nascimento
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