sábado, 19 de junho de 2010

Eita, vida pesada!


            Experimento as incompreensões das orelhas que não escutam e da minha língua que parece falar errado. Restam-me os dedos, para discorrer sobre o ontem e o presente. Restam-me as mãos para palavrear as dores da sensação desse descontrole que a minha vida descarrilou afora.

            A quem eu peço ajuda? Rodeio-me de cadernos, livros, pesquisas e de uma ventania desajeitada. Proteção? Andar na ponta dos pés, vinte e quatro horas do dia, para não incomodar, é proteger-se? Será que falseio meu anseio de passar despercebido?

            Careço de colo e de quebras de silêncio. Preciso de mãos nos meus cabelos e de cuidados. Ando ferido, cansado, como se estivesse contrariando o que a vida toma por certo. Sinto-me como estrangeiro e secundário nas minhas próprias terras. Tento abrir portas com maçanetas que emperram. Há ferrugem nas minhas emoções.

            Eu quero um descanso de mim, de salvar o mundo e matar leões alheios. Quero ser resgatado da torre que continuamente se eleva e me afasta do chão. Quero apenas uma chance de chorar, uma oportunidade do luxo de fraquejar e poder me apoiar.

            Agora mesmo, não sei qual caminho se estende a frente e encosto-me em mim mesmo, como se, perdido, pudesse me içar do meio de minhas próprias palavras. Mas eu não me enxergo nelas. Vaidosas, elas serpenteiam por entre tantos. Eu sou mais um que se dilui.

            Quero ser entendido.

            Quero, hoje, ser humano.

            (Lá vem a chuva!)

Eita, vida pesada....

Angelo A. P. Nascimento
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