domingo, 18 de julho de 2010

Dois dedos de lógica

Quando eu era criança, ficava pensando por que as coisas tinham o nome que tinham e, se eu não achava explicação, simplesmente criava um novo nome para aquilo. Por que dente de leite se chamava dente de leite, se não era de leite? Por que a lua era de mel, quando as pessoas viajavam depois de casar? E por que as pessoas casavam? De onde vinha a vassoura? Por que não se chamava varredora e a galinha de botadora? O teatro amador era só de histórias de pessoas que amavam?
Meu pensamento pulava esses muros e me levava a indagações mais profundas. Foi assim que, pensando na Segunda Guerra Mundial, fiquei um tempão a me perguntar por que Hitler queria que todo mundo nascesse entre março abril. Ao mesmo tempo, enchia-me de tranqüilidade de saber que, se eu tivesse nascido naquela época, não teria sido perseguido, pois eu era de Áries.
 Eu pensava que Papai Noel morava em minha cidade (Natal-RN) e não entedia porque raios aqui não nevava. Jurava para mim mesmo que Jesus era brasileiro, já que na escola me diziam que ele tinha nascido em Belém e ninguém se preocupou em me dizer que não era do Pará.
Era fascinado por dinossauros, inclusive nem sabia que eles tinham sido extintos. Só sei que queria muito ir à Austrália, pois tinha certeza de que era lá que eles moravam (de onde foi que tirei que era Austrália???).  Adorava olhar para o céu e imaginar quem era a pessoa que lavava os aviões que estava sujos de nuvem, após a viagem e que consistência ela tinha. Divertido era achar que eu tinha super-poderes e ninguém sabia (nem eu sabia na verdade).
Sei lá por que escrevi esse post e por que isso aqui.
Acho que eu queria apenas lembrar que, em algum momento de minha vida, tudo tinha lógica.
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