segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A função das janelas


Embora não se diga,
Eu tentei te esquecer
Falei com quem podia
E me calei para tantas outras pessoas
Que jamais entenderiam
Esse alçapão de bem querer mal quisto.

Experimentei todas as formas
De não lembrar
Escrevi cartas que você nunca irá ler
Mudei de casa
Dormi com pessoas
Que nunca quis que estivessem lá
E chorei tão baixo
Para que você não me escutasse.

Acerca de mim,
Descasquei a fina camada da espera das horas,
Fiz uma fogueira com todas as palavras
Que pudessem lhe dar alguma indulgência
E continuei vivo
Às custas do calor dela.

Ainda que não se saiba
É o amor que nunca foi embora
Enferrujando sobre o parapeito
Com todas as músicas
Que tocam lá fora de mim.

Espero impacientemente
O fim dessa dor que se exaspera
Já que por todos os lados
Existem pequenas e grandes janelas
E não há um só dia
Que eu não jogue
Toda a nossa impossível vida
Delas.

Ah, se não fossem as janelas...




Angelo A. P. Nascimento
(Esqueci a data: joguei pela janela)
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