domingo, 25 de julho de 2010

Minhas mãos

Eu não tenho milagres em minhas mãos
Ao contrário, tenho essa forçosa dor insistente
Tenho esses dedos renitentes
E linhas que se desalinham sem destino.

Eu tenho nelas
A sensação dormente de sua pele
A temperatura fria de seus cabelos
A pouca terra que seus pés deixaram para trás.

Tenho comigo o mormaço de sua boca
Tenho o desequilíbrio do balanço na rede da varanda
Tenho capturado os sons dos carros passados.

Eu não tenho nada de nobre no que sinto
Nada de justo ou coerente
Tenho essa tanta coisa que continuamente se esvazia
E me transforma em um desconhecido
Que apenas se afasta.

Angelo A. P. Nascimento
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