sexta-feira, 7 de junho de 2013

As doces ilusões da televisão


“Lembra, que o primeiro toque deu choque.”
(Dinda)

A vida é cansativa: é com essa frase que termino minha sexta-feira. Dias penosos de fim de semestre, tripla jornada para quem é professor e ainda atua atendendo pacientes. Alguém diria que a hora de fazer isso é agora, que estou jovem, construindo uma vida, e até concordo, mas hoje me permito ser diferente, me dou a liberdade de me sentir de maneira pouco usual. Não posso ser todo locomotiva, vida a frente, o tempo inteiro.
Hoje chego, tudo escuro, silêncio preenchendo os vazios por toda casa, salvo a alegria de minhas cadelas que insistem em me denotar importância. Frequentemente diria isso em poesia, mas hoje pouco cabe em versos, me arriscando em distinta prosa, cuja inabilidade fica visível. Hoje não adestro palavras, elas correm soltas pelos meus braços, minha cabeça, atravessam o coração com uma urgente necessidade de me dizer. Chegam a formigar no meu abdome, na minha língua, que se mostra inútil. Não há plateia, não há para quem falar da aula boa ou estressada, das situações que trabalhar na saúde me abatem. Hoje vejo-me inundado de tantas humanidades, que percebo-me frágil.

Silente, olho os dedos
Soltos, sem encontro
As horas que comem meus encantos
A tristeza dos argumentos incompreendidos
E as doces ilusões da televisão.

[Acabo voltando aos versos...]


Angelo Augusto Paula do Nascimento


Postar um comentário
Related Posts with Thumbnails