sábado, 18 de junho de 2011

E se não digo adeus



Dentro de minha confusão
O tempo passa rápido
Como se toda força
Que disso resultasse
Arrastasse o sentido
Das palavras
Dos sinônimos
Das coisas ditas
E engolidas com alguma bebida

Respiro
Tonto de revolta
E doído pelas coisas
Que não foram
Ou pelas que se foram
Sem serem vividas
Enquanto que lá embaixo
Guarda-se o rol
De besteiras todas
Tem sopa de letras
Cartões e asneiras
E uma lista de filmes
Que não veríamos mesmo
Nessa vida

Para debaixo do tapete
Tudo volta
Soprado pelo vento
Que passa por essa porta aberta
Tudo se recolhe
À escuridão de nossas vistas
 
E se não digo adeus
É por que você se perdeu
E eu fui apenas ali comprar cigarros.

Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Perdão



Enquanto caminho
Eu lhe peço perdão
Pela falta de coração
Pelas asas que você perdeu
Por não mais saber voar
Por constantemente se afogar

Eu lhe rogo o perdão
Por eu ter perdido o condão
De transformar casas tristes
Em mansões felizes
Por nunca voltar
E deixar morrer
As plantas que não pude aguar
Por não fechar as portas e janelas
Por te deixado as contas por pagar

Eu lhe peço que me perdoe
Por tudo que eu não souber mais falar
Pelas canções e pelas palavras álgicas
Pelo desacerto e pelo desconcerto
Pela indiferença e pelas diferenças
Por nada mais saber
Sobre mim
E sobre você. 

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Campo de flores minadas


                                         
Eu penso tanto em tudo
Que meus pensamentos
Arremedam a sua voz
Como se dessem a resposta
Ao que não entendo
Por você não dizer

E essa coisa aqui por dentro
Esse estranho espaço branco
Não tem lápis que o risque
Mas tem nódoas
Que em nada se acanham
Em sujar minhas lembranças

Sigo manchado
Por letras
Vozes
Fatos
Abraços
Beijos
E adeuses

E se penso na retomada
É sozinho que marcho
Nesse campo de flores minadas.

[Eu, beija-flor
Você, explosivo]

Angelo A. P. Nascimento

terça-feira, 24 de maio de 2011

Pela cidade





E pela cidade
Iluminado por luzes amarelas
Meu amor tansita caótico
Cortando sinais
Acidentado-se em suas esquinas.




Angelo A. P. Nascimento

domingo, 22 de maio de 2011

Uma oração para salvar seu coração

Encontrei essa música no blog Expressões e Impressões e achei tão perfeita, que só ela para dizer o que sinto esses dias. Fica para vocês, nesse domingo, boa música, boas letras e uma oração perfeita.
Angelo A. P. Nascimento



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Marvada cerveja

Nossas mãos que calejam
Nossas almas assustadas
Nossos corpos surrados
Essa nossa vida
Bem e mal amada

Tudo doía de forma humanamente frágil
Na imaturidade
De nossas circunstâncias.

[Marvada cerveja
Beleza, apenas beleza...]


Angelo A. P. Nascimento

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sereno


O silêncio
Vento mudo
Cai como sereno
Tenso e curvilíneo
Abóboda desestrelada

Como cobertor,
Serve as minhas
Tenras tolices que se esgotam
Resfriadas pelo vazio de cada fria hora

O silêncio
Luzes e postes
Inúteis pela madrugada
É tão confuso
Por apagar-se nas palavras
Que gostaríamos de escutar...


Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fardo

Tem um pesado fardo a noite
Que carrego sobre a cabeça
Num malfadado sentimento à parte
Tudo porque vi
A expressão divina de sua fala
Outra vez a mim apontando
E suas risadas
Músicas e baladas
Barulho fortuito
Que não me deixa dormir

Esse pesado fardo
Que me desequilibra
Entre ficar e partir
Deixa à mostra lacunas de concupiscência
A se preencherem de porvir
Deixa-me ver perfeição no imperfeito
E vislumbrar-me com a incerteza
De todo e qualquer pleito
Do amar e não sentir
E de ensurdecer aos ecos
Que gostaria de ouvir

É que as coisas que estão sendo olvidadas
Nunca se olvidam
No completo desmoronamento
Das razões e das paixões
E não me permitem
Ser homem ou animal qualquer

Será então
O amor bastardo
Ou o amor legítimo e sem fim?

Esse fardo é essa lua
Que enamora o impossível
E flutua sobre
Essa incessante passagem
De você por minhas carnes.

Angelo A. P. Nascimento
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