segunda-feira, 7 de maio de 2012

Das metamorfoses diárias



Eu vi meu corpo
Virar penas
As pernas
E os poemas.

E foi preciso apenas
Você me abraçar...

Angelo Augusto Paula do Nascimento

domingo, 15 de abril de 2012

Lembranças



Eu passarei decênios
No abandono do seu amor
Como triste homem
Sem lume no peito

Serei eu
Deitado na varanda
Na esperança
De chover seu cheiro
E poder me espraiar pela grama

E os anos
Meu aniversários
Sem teus braços
Me levarão
Até mancarem
Meus pés e sentimentos

Até o amor fenecer
Em seu leito
Sem, no entanto
Apagar da minha lembrança
Seu rosto encantado.

[Hei de amar-te sem ecos...]

Angelo A. P. Nascimento

domingo, 4 de março de 2012

O poema fiado no dorso


Repaginei toda e qualquer folha escrita
Por onde seus dedos passaram
Tontos de prosa
Atordoados de melodias

Redefini suas formas e rimas
Como se fosse possível
Ferir sua métrica
E o cavalgar
De suas sílabas poéticas

Então recitei-te
Como criança apaixonada
Cujo bilhete escondido
Foi entregue e arrependido

E continuei ali fitando
Com a perplexidade do primeiro amor
A mudança do seu corpo em letras
Que desfilaram por minhas linhas
Fiando poemas em meu dorso cansado

Angelo Augusto Paula do Nascimento

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Peleja

Foto: @katia_tch Instagram

Eu pelejo
Por sobre a sua pele
À Procura de brechas
Que se preencham
De meus benditos sons
Malucas palavras
Que te ressonam
No meio das madrugadas

[E o sereno balbucia
Ao desfazer-se
Apenas por existir-te]

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de cinzas



Tudo acaba cinza
Depois do inexplicável
Silêncio das palavras.

[Mas é carnaval...]

Angelo A. P. Nascimento

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Brutalidade





Eu não tenho licenças poéticas

Sou bruto

Empurro a poesia.


Angelo A. P. Nascimento

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Recital



Todo mundo tem algo para contar
Arrisco-me a dizer que somos contistas
Escrever para quê?
Para contar de nosso amor
De nossa dor
De nosso espaço
De nossas incertezas
De nossas humanidades

Contamos tudo
Queremos um ouvido
Um coração amigo
Alguém que na infinidade
De qualquer desconhecido
Recite conosco essa vida
Que se escreve poesia.

Angelo A. P. Nascimento

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Alimento

Floricultura - Barra da Tijuca -RJ

Sei que fui de vez
E que ainda volto sorrateiro
Com flores e palavras
Com um motivo que não sei

Mas tente entender
Minha fraqueza por você
Que sua pele
Franco céu de sardas
É alimento para minhas palavras.

Angelo Augusto Paula do Nascimento
Related Posts with Thumbnails